1. Sobre este painel
O Painel Trabalho Doméstico no Brasil é uma ferramenta pública de visualização e consulta de dados sobre as trabalhadoras e os trabalhadores domésticos brasileiros. É construído pelo pesquisador Jean-François Mayer (Concordia University, comparative politics, RITHAL) em colaboração com o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Município de São Paulo (STDMSP) e desenvolvimento técnico de Joao Roque.
O painel reúne três tipos de evidência: (i) agregados oficiais da PNAD Contínua (IBGE) computados pelo nosso ETL diretamente da API do SIDRA; (ii) dados internacionais do ILOSTAT para comparativos da América Latina; (iii) cifras complementares atribuídas ao DIEESE quando o SIDRA não expõe a desagregação necessária (caso da composição por cor/raça e da razão salarial entre negras e não-negras).
O painel é destinado simultaneamente a quatro audiências: as próprias trabalhadoras (calculadora pessoal de comparação), os sindicatos (gráficos incorporáveis), pesquisadoras(es) (dados abertos, esta página, citação estável) e o público interessado em política trabalhista brasileira.
2. Fontes
| Código | Fonte | URL | Cobertura temporal |
|---|---|---|---|
PNADC-6320 | IBGE — PNAD Contínua trimestral móvel, Tabela 6320 (Pessoas ocupadas por posição na ocupação) | sidra.ibge.gov.br/tabela/6320 | 2012Q1 → presente |
PNADC-6383 | IBGE — PNAD Contínua trimestral fixo, Tabela 6383 (Trabalhadores domésticos por número de domicílios) | sidra.ibge.gov.br/tabela/6383 | 2012Q1 → presente |
PNADC-6391 | IBGE — PNAD Contínua trimestral móvel, Tabela 6391 (Rendimento médio por grupamento de atividade) | sidra.ibge.gov.br/tabela/6391 | 2012Q1 → presente |
ILOSTAT | Organização Internacional do Trabalho — Domestic workers by sex and status in employment (ISCO-08 91) | ilostat.ilo.org | 2008 → presente |
DIEESE-2025 | DIEESE — Boletim Especial: Trabalho doméstico remunerado no Brasil: um trabalho de cuidados (abril 2025) | PDF do boletim | Base PNADC 4º trimestre 2024 |
DIEESE-INFO-2025 | DIEESE — Infográfico Trabalho doméstico no Brasil (abril 2025) | infográfico | Base PNADC 4º trimestre 2024 |
3. Variáveis e definições
Cada gráfico do painel mapeia para uma combinação específica de tabela, variável SIDRA e categoria de classificação. Esta seção documenta cada um.
3.1 Total de trabalhadoras(es) domésticas(os) — gráfico de tendência
- Fonte:
PNADC-6320 - Variável SIDRA:
4090— Pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência (mil pessoas) - Classificação:
c11913(Posição na ocupação e categoria do emprego no trabalho principal), categoria31724("Trabalhador doméstico" — total) - Granularidade temporal: trimestre móvel (janela de 3 meses, atualizada mensalmente)
- Granularidade geográfica: Brasil apenas (a Tabela 6320 não suporta nível UF para esta classificação)
3.2 Taxa de formalização (% com carteira)
- Fonte:
PNADC-6320(mesma) - Cálculo: razão entre categoria
31725("Trabalhador doméstico — com carteira de trabalho assinada") e categoria31724(total), por período - Marcos regulatórios relevantes: EC 72/2013, LC 150/2015, decisão do STF de 2020
3.3 Rendimento médio mensal real — setor "Serviços domésticos"
- Fonte:
PNADC-6391 - Variável SIDRA:
5932— Rendimento médio mensal real, habitualmente recebido no trabalho principal (em reais constantes) - Classificação:
c888(Grupamento de atividade), categoria56628("Serviços domésticos") - Nota: o setor Serviços domésticos da PNADC e a categoria Trabalhador doméstico do c11913 não são idênticos, mas sobrepõem-se em mais de 95% no nível de contagem; usamos o setor como proxy para o salário desta população quando a desagregação direta não está disponível
3.4 Mensalistas vs. diaristas
- Fonte:
PNADC-6383 - Variável SIDRA:
8336 - Classificação:
c785(Número de domicílios em que trabalhavam), categorias40277("em um único domicílio" — proxy de mensalistas) e40278("em mais de um domicílio" — proxy de diaristas) - Nota: a Tabela 6383 oferece apenas a classificação por número de domicílios, não por contrato em si. A LC 150/2015 estabelece a fronteira jurídica em 2 dias por semana por empregador; o SIDRA não publica esse corte exato, mas o número de domicílios é uma aproximação amplamente aceita
3.4b Composição por sexo (série temporal)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— mesma origem das séries 3.5 e 3.6, agora aplicandoV2007(sexo) com pesosV1028. - Cobertura: 56 trimestres, 2012Q1 → 2025Q4. Atualizada a cada nova divulgação trimestral.
- Achado: a participação feminina caiu ligeiramente de 93,0 % (2012) para 91,7 % (2025) — uma diminuição de 1,3 pp ao longo de 13 anos. O declínio acelerou durante a COVID-19 (homens voltaram em número ligeiramente maior quando mulheres foram forçadas a sair). Combinado com 3.5 (racialização +5,2 pp) e 3.6 (hiato salarial estável), o quadro: trabalhadoras domésticas são mais negras, um pouco menos femininas e igualmente sub-remuneradas em 2025 vs. 2012. Mas mesmo no extremo do declínio, ~92 % continuam sendo mulheres — feminização extrema.
- Histórico: até 05/2026 esta cifra era atribuída ao DIEESE como valor estático único (91,9 %); foi substituída pela série temporal computada após o pipeline de microdados ser estendido para incluir agregações por sexo.
3.5 Composição por cor/raça (série temporal)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— microdados oficiais da PNAD Contínua trimestral, processados pelo nosso ETL (etl/pnadc_microdata.py) com aplicação dos pesos amostrais V1028. - Cobertura: 56 trimestres fixos, 2012Q1 → 2025Q4. Atualizado a cada nova divulgação trimestral do IBGE (~6-8 semanas após o fim do trimestre).
- Variáveis usadas:
VD4009(posição na ocupação, filtros "03" trabalhador doméstico com carteira + "04" sem carteira),V2010(cor/raça),V1028(peso amostral pré-calibrado). - Validação: nosso valor para 4T 2024 (68,3% pretas+pardas) coincide com o valor publicado pelo DIEESE no Boletim Especial abr/2025 (~68,5%) dentro de 0,2 pp — bem dentro da margem de erro amostral da PNADC.
- O que isto desbloqueia: trajetória ao longo de 13 anos. Achado central: a participação de pretas + pardas no trabalho doméstico subiu de 62,5% (2012Q1) para 67,7% (2025Q4), +5,2 pp ao longo de 13 anos — a racialização do trabalho doméstico se intensificou, não diminuiu, ao longo dos marcos regulatórios EC 72/2013 e LC 150/2015 e do choque da COVID-19.
- Histórico: até 05/2026 esta cifra era atribuída ao DIEESE como valor estático único (69%); foi substituída pela série temporal computada após implementação do pipeline de microdados.
3.6 Hiato salarial racial (série temporal)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— mesma origem da composição racial (3.5), aplicando a variávelVD4019(rendimento mensal habitual do trabalho principal) com pesos amostraisV1028. - Cálculo: para cada trimestre, computamos a média ponderada do rendimento de trabalhadoras(es) domésticas(os) negras (pretas + pardas) e não-negras (brancas + amarelas + indígenas) separadamente, e tomamos a razão (negras ÷ não-negras × 100).
- Cobertura: 56 trimestres, 2012Q1 → 2025Q4.
- Validação: nosso valor para 4T 2024 (84,3 %) coincide com o publicado pelo DIEESE no Boletim Especial abr/2025 (84,0 %, base feminina) dentro de 0,3 pp — pequena diferença porque incluímos homens (~5 % da categoria, com salário ligeiramente maior em média).
- Achado central: o hiato ficou estável entre 84 % e 87 % ao longo de 13 anos. Combinando com o achado de 3.5 (a participação de pretas + pardas na categoria subiu de 62,5 % para 67,7 %), o quadro é nítido: mulheres negras são uma parcela crescente de uma ocupação cuja desvantagem salarial racial não diminuiu.
- Sobre nominal × real: os salários computados aqui estão em reais nominais (correntes), não deflacionados. Para a razão isso é irrelevante (numerador e denominador estão na mesma moeda do mesmo período); para a série de salário absoluto continuamos usando a Tabela PNADC-6391 (deflacionada pelo IBGE).
- Histórico: até 05/2026 esta cifra era atribuída ao DIEESE como valor estático único (76 %, depois corrigido para 84 %); foi substituída pela série temporal computada após o pipeline de microdados ser estendido para incluir agregações salariais.
3.6b Jornada média e contribuição previdenciária (Brasil)
- Fontes:
fact_hoursefact_prev(variáveisV4039eV4032da PNADC, agregadas pela equipe do projeto) - Recorte: nível país, sexo=T, formality=total, raça em {
preta_parda,nao_negras,total}. As linhas raça-específicas usam o agregado nao_negras = branca + amarela + indígena para limitar o número de séries no gráfico - Cobertura: 56 trimestres (1T 2012 → 4T 2025) · pesos amostrais
V1028aplicados - Linha de referência no gráfico de jornada: 44h/semana — limite legal definido pela Constituição Federal Art. 7º, XIII e estendido às trabalhadoras domésticas pela LC 150/2015 Art. 2º
- Achados centrais:
- Jornada média ~32h/semana, estável em 13 anos — a categoria é majoritariamente diarista, não cumprindo a definição clássica de "tempo integral"
- Taxa de previdência ~14,6% — drasticamente abaixo da taxa de formalização (24%). Isso significa que mesmo entre as trabalhadoras com carteira assinada, muitas não estão tendo a contribuição efetivamente recolhida. É a métrica mais sensível para o argumento de descumprimento da LC 150/2015
- Limitação: o gráfico não mostra a quebra por formalidade (com carteira × sem carteira) ao nível Brasil porque o pipeline atual emite a agregação raça=total apenas com formality=total. A combinação raça=total × formality=com_carteira pode ser computada por soma ponderada a partir das linhas raça-específicas (peso = workers_thousands de
fact_workers) — ficou no backlog
3.7 Distribuição por UF (gráfico de barras)
- Fonte primária:
PNADC-MICRODATA(microdados PNAD Contínua agregados pela equipe do projeto, aplicandoV1028e variávelUF) - Fonte de retaguarda:
PNADC-6383(SIDRA agregado), usado quando os microdados não estão carregados - Granularidade: 27 UFs, último trimestre disponível
- Por que microdados em vez do agregado SIDRA: consistência interna com o mapa (3.7b), composição racial (3.5) e demais séries computadas — todas vêm da mesma agregação ponderada dos microdados
3.7b Mapa: composição racial por UF
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— extensão da agregação 3.5 com a variávelUF(código IBGE 2 dígitos), aplicada com pesos amostraisV1028sobreVD4009 ∈ {03, 04}(trabalhador doméstico com/sem carteira) - Cobertura: 27 UFs × 56 trimestres (1T 2012 → 4T 2025), ~12 mil linhas em
fact_workerscomgeo_level='uf' - Dimensões disponíveis: % pretas + pardas entre trabalhadoras(es) domésticas(os) (padrão) e total absoluto em milhares (alternativa). O filtro de Ano controla o trimestre exibido (último de cada ano calendário)
- Geometria: SVG estático em
dashboard/assets/brazil-uf.svg, gerado de uma única vez poretl/build_uf_svg.pya partir do GeoJSON IBGE simplificado por Ramer-Douglas-Peucker (epsilon=0,05° ≈ 5,5 km, ~37 KB resultantes) - Achado central: o gradiente geográfico segue exatamente a geografia histórica do trabalho doméstico no Brasil. Bahia 90,3 % é o pico nacional; o Nordeste e a Amazônia ficam todos acima de 80 %. O Sul (Santa Catarina 29,4 %, Rio Grande do Sul 32,0 %) é o piso. São Paulo, sede do STDMSP, está em 56,4 % — abaixo da média nacional (~69 %), mas com 1,26 milhão de trabalhadoras domésticas, é de longe a maior categoria absoluta do país
- Validação: a soma dos 27 totais estaduais reconcilia com o total Brasil dentro de 0,02 pp (1,18 mil sobre 5,57 milhões), o que confirma que a agregação ponderada não tem viés sistemático
- Limitação: UFs pequenas (RR, AP, AC, TO) com células raciais raras (especialmente indígena e amarela) podem ter estimativas ruidosas. A leitura de cabeçalho — % pretas + pardas — é robusta em todas as UFs, com tamanho amostral suficiente em todos os 56 trimestres
3.7d Jornada média e contribuição previdenciária (Foco em SP)
- Fontes:
fact_hoursefact_prev, novas tabelas populadas pela pipeline PNADC microdados (variáveisV4039— horas habituais por semana no trabalho principal — eV4032— era contribuinte de previdência na semana de referência) - Recorte: UF=SP, sexo=T, formality=total, raça em {
preta_parda,nao_negras}; mais o total Brasil como referência cinza pontilhada - Cobertura: 56 trimestres (1T 2012 → 4T 2025), com 1 trimestre intermediário (3T 2025) re-corrido após falha de espaço em disco
- Linha de referência: o gráfico de jornada inclui linha horizontal pontilhada a 44h/semana, o limite legal definido pela CLT (Art. 7º, XIII da CF) e mantido para domésticas pela LC 150/2015 Art. 2º
- Achados centrais (4T 2025 em SP):
- Jornada média: 32,4 h/semana (preta+parda 33,2h · não-negras 31,4h) — bem abaixo do limite legal, refletindo a alta proporção de diaristas em SP
- % sobre 44h: ~9,6% — apenas uma em cada dez trabalha mais do que o limite
- Contribuição previdenciária: 19,8% em SP (preta+parda 20,4% · não-negras 19,2%), ligeiramente acima da média nacional (~14,6%)
- O gap entre taxa de formalização (24%) e contribuição previdenciária (14,6%) nacional indica que mesmo entre trabalhadoras com carteira, muitas não estão tendo a contribuição efetivamente recolhida
- Limitação: o recorte UF é feito ao nível
formality=total. Para mostrar especificamente a diferença entre com carteira e sem carteira em SP, a pipeline precisaria emitirUF × formalityalém deUF × race. Não está pronto nesta versão; ficará no backlog até a STDMSP indicar se essa visão importa
3.8 Comparativo internacional — Brasil ↔ México (trajetória)
- Fonte:
ILOSTAT - Indicador:
EMP_TEMP_SEX_OC2_NB_Acom filtro ISCO-08 grupo 91 ("Cleaners and helpers") - Forma do gráfico: linhas anuais. Brasil e México aparecem em destaque (linhas grossas, vermelho-chita e grafite); os demais 6 países da América Latina (Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Equador) aparecem como contexto em cinza tracejado
- Por que BR ↔ MX em destaque: o eixo comparativo da pesquisa de Jean-François Mayer (Concordia) é justamente o par Brasil-México — duas das maiores categorias de trabalho doméstico da América Latina, ambas com legislação federal específica (LC 150/2015 no BR; reformas IMSS 2019–2024 no MX), e ambas com ratificação da Convenção 189 da OIT
- Cobertura: BR 2012–2025 (14 pontos), MX 2013–2025 (13 pontos). Os outros países variam (Peru tem só 4 pontos; Argentina, Uruguai, Colômbia têm séries de ~15 anos)
- Aviso importante (mantido): ISCO-08 91 é mais amplo que a categoria "Trabalhador doméstico" do IBGE — inclui faxineiras de escritório, auxiliares de limpeza em hotelaria, hospital, etc. Os totais nacionais aqui (BR ~7,8 milhões em 2025) são maiores que os totais da PNADC para a mesma população (5,5 milhões). A comparação só é válida entre países dentro do ILOSTAT, não entre ILOSTAT e PNADC
- Próximos passos (P2.2): completar dimensões adicionais (% mulheres, taxa de informalidade) por país, exigindo extensão do
fetch_ilostat.pypara puxar indicadores complementares. Decisão pendente; não bloqueia esta versão
3.8b Status legal — Convenção 189 da OIT
- Fonte: NORMLEX, banco de dados oficial da OIT sobre normas internacionais do trabalho (link direto à C189)
- Indicador: ano de ratificação da Convenção 189 (Trabalhadoras e Trabalhadores Domésticos, 2011) por país
- Dados (estáticos, codificados manualmente — verificados contra o NORMLEX em 2026-05): Uruguai 2012-06 · Equador 2013-12 · Argentina 2014-03 · Colômbia 2014-05 · Chile 2015-06 · Brasil 2018-01 · Peru 2018-11 · México 2020-07
- Por que importa: a C189 é o instrumento internacional vinculante que reconhece trabalhadoras domésticas como categoria com direitos iguais aos de outras profissões. A ratificação obriga o país a adequar a legislação interna. No caso brasileiro, a LC 150/2015 (Lei das Domésticas) antecedeu a ratificação (2018), invertendo a sequência típica em que o tratado força a reforma interna. Uruguai foi o primeiro país do mundo a ratificar, em junho de 2012, um ano depois da adoção da Convenção pela Conferência da OIT
3.7c Intervalos de confiança e tamanho amostral (mapa por UF)
- Cálculo: intervalo de Wilson (95%) para a proporção, ancorado no tamanho amostral não-ponderado da linha
race='total'de cada UF. A fórmula:(p + z²/2n ± z√(p(1−p)/n + z²/4n²)) / (1 + z²/n), comz = 1,96. - Por que Wilson e não normal: o intervalo de Wilson é o padrão recomendado para proporções porque não fica enviesado em direção a 0 ou 100% em amostras pequenas. Para os 27 UFs, isso é especialmente relevante: UFs grandes (SP, MG, BA) têm IC estreito (~±1 pp), UFs pequenas (RR, AP, AC) podem ter IC de ±5–8 pp.
- Onde aparece no painel: na tooltip do mapa, abaixo da estimativa pontual de % negras. Formato: "IC 95%: 54,8% – 57,9%".
- Supressão de amostras muito pequenas:
n_unweighted < 30— UF é cinzeada no mapa e a tooltip marca "estimativa pouco confiável"30 ≤ n_unweighted < 100— UF mantém a cor, mas a tooltip mostra um aviso de "amostra pequena"n_unweighted ≥ 100— sem marca adicional, apenas o IC entre parênteses
- Limitação importante: o IC capta apenas a variabilidade da amostra. Não captura erro de viés (e.g., subnotificação sistemática de trabalho informal pelas próprias entrevistadas), erro de cobertura (e.g., domicílios em áreas precárias subamostrados), ou viés de medida (e.g., autoclassificação racial). Para essas fontes de incerteza, a metodologia da PNAD Contínua publicada pelo IBGE é a referência.
3.9 Anotações de linha do tempo política
- Fonte: hardcoded em
dashboard/index.html· funçãobuildPolicyAnnotations() - Eventos marcados (linhas verticais tracejadas nos gráficos de série temporal):
- EC 72/2013 — emenda constitucional que igualou direitos das trabalhadoras domésticas aos demais empregados (abril/2013)
- LC 150/2015 — Lei das Domésticas, regulamentando a EC 72/2013 (entrou em vigor em junho/2015)
- Brasil ratifica C189 — Convenção 189 da OIT (janeiro/2018)
- COVID-19 — início dos lockdowns no Brasil (março/2020)
- México ratifica C189 — relevante para o comparador BR ↔ MX (julho/2020)
- Por que importam: localizam empiricamente onde a política deveria ter produzido inflexões. A leitura das séries fica menos abstrata — o leitor pode olhar para "% formalização" em junho/2015 e ver o efeito (ou ausência dele) da LC 150 visualmente, sem precisar reconstituir a cronologia mentalmente.
4. Notas metodológicas
4.1 Trimestre móvel × trimestre fixo
A PNADC é divulgada em duas frequências distintas: trimestre móvel (janela de 3 meses atualizada mensalmente, ex.: dezembro 2025–janeiro–fevereiro 2026 → código 202602) e trimestre fixo (calendar quarter, ex.: 1º trimestre 2026 → código 202601). As duas séries não são idênticas na granularidade temporal: a trimestre móvel cobre 12 pontos por ano, a fixa cobre 4. O painel usa a trimestre móvel para a série histórica de contagem e formalização, e a trimestre fixa para os cortes UF e mensalistas/diaristas. Os códigos de período preservam a forma original (6 dígitos YYYYMM) para permitir distinção.
4.2 Real vs. nominal
Os valores de rendimento usados no painel são em reais constantes (real, deflacionado pelo INPC) e não em reais correntes (nominal). Isto é o padrão do IBGE para séries históricas e permite comparar 2012 com 2026 sem que a inflação distorça a leitura.
4.3 "Trabalhador doméstico" × "Serviços domésticos"
O IBGE usa duas definições próximas mas não idênticas:
- "Trabalhador doméstico" (classificação
c11913) — uma posição na ocupação: a pessoa é contratada pessoa-física por um(a) ou mais empregadores domésticos. - "Serviços domésticos" (classificação
c888) — um setor de atividade: a pessoa trabalha em atividades classificadas como serviços domésticos pelo CNAE.
A sobreposição é alta mas não total: a categoria de posição inclui empregadas(os) que trabalham em atividades não-domésticas dentro do domicílio, e o setor inclui pessoas com outras posições (ex.: autônomos prestando serviços ocasionais). Onde fazemos uso do setor para inferir cifras sobre trabalhadoras domésticas (caso do salário, gráfico 3.3), explicitamos a substituição.
4.4 ILOSTAT ISCO-08 91 × PNADC "Trabalhador doméstico"
Para o comparativo internacional, usamos a classificação ocupacional ISCO-08 do ILOSTAT, sub-grupo 91 ("Cleaners and helpers"). Esta classificação inclui trabalhadoras domésticas mas também faxineiras de escritórios, auxiliares de limpeza em hospitais e hotéis, etc. O total brasileiro pelo ILOSTAT (~7,2 milhões em 2025) é, portanto, maior que o total brasileiro pela PNADC para "Trabalhador doméstico" (~5,5 milhões no mesmo período). A comparação entre países dentro do ILOSTAT é válida (todos os países usam a mesma classificação); a comparação entre ILOSTAT e PNADC é uma comparação entre populações distintas e não deve ser feita.
5. Limitações conhecidas
- Cortes raça × posição × UF não estão nos agregados SIDRA. O IBGE publica agregados que cruzam, separadamente: posição × período (Tabela 6320), posição × UF (Tabela 6383), rendimento × cor/raça × ocupação (Tabela 5 do Boletim DIEESE). Mas não publica o cruzamento triplo. Para obtê-lo precisaríamos processar os microdados PNADC, o que requer download dos arquivos de largura fixa do FTP do IBGE e cálculo de pesos amostrais — fora do escopo desta versão.
- Cifras DIEESE têm cadência semestral, PNADC tem cadência mensal. A composição por cor/raça e a razão salarial racial são revisadas em abril e novembro pelo DIEESE; entre essas datas, mostramos o último valor publicado, podendo estar até seis meses defasado. As séries de contagem e formalização da PNADC, em contraste, são atualizadas mensalmente.
- Censo 2022 ainda em divulgação progressiva. Cortes municipais finos (necessários, p.ex., para um painel STDMSP focado em São Paulo capital) dependem dos microdados do Censo 2022, cuja divulgação está em andamento até 2026. Quando estiverem disponíveis, vamos integrar.
- Marca histórica de 2020. A pandemia de COVID-19 interrompeu o trabalho de campo da PNADC; alguns trimestres de 2020-2021 têm cobertura amostral reduzida. Tratamos os valores como publicados pelo IBGE sem ajuste; a queda visível no gráfico de tendência é real (perda massiva de postos) e em parte um artefato da metodologia de coleta naquele período.
6. Atualização e versionamento
O painel é atualizado em três cadências distintas:
- Mensal: o ETL
fetch_sidra.pyé executado para puxar a nova trimestre móvel da PNADC quando o IBGE divulga (geralmente entre 6 e 8 semanas após o fim do período). Os gráficos de tendência, formalização e salário recebem o novo ponto. - Semestral: as cifras DIEESE em
static_factsão revisadas após a divulgação dos boletins de abril e novembro. Cada revisão recebe uma entrada no log de auditoria. - Anual: o comparativo internacional do ILOSTAT é puxado pelo
fetch_ilostat.pyuma vez por ano, geralmente em maio (após a publicação do ILO World Employment and Social Outlook).
Toda atualização é registrada em QA_AUDIT.md no repositório, com o que foi conferido, o que mudou, e a próxima data de checagem. Quando uma cifra é corrigida, o registro mantém o valor antigo riscado para que qualquer leitor possa rastrear o histórico — vide a correção 76% → 84% do hiato salarial racial em maio de 2026.
7. Como citar
Sugestão (ABNT):
MAYER, Jean-François; ROQUE, João; SINDICATO DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (STDMSP). Painel Trabalho Doméstico no Brasil. Concordia University / RITHAL, 2026. Disponível em: <https://stdmsp-trabalho-domestico.joaoroquer.workers.dev/>. Acesso em: [data].
Sugestão (APA 7):
Mayer, J.-F., Roque, J., & Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Município de São Paulo (STDMSP). (2026). Painel Trabalho Doméstico no Brasil [Painel de dados]. Concordia University / RITHAL. https://stdmsp-trabalho-domestico.joaoroquer.workers.dev/
Para citar uma cifra específica, recomendamos incluir o período (trimestre móvel ou trimestre fixo) e a fonte do gráfico, pois o painel é vivo:
"5,49 milhões de trabalhadoras(es) domésticas(os) no Brasil no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026 (PNADC Tabela 6320, conforme Painel STDMSP, acesso em XX/XX/2026)"
8. Erros, correções e auditoria
Toda correção realizada após a publicação inicial fica documentada no log de auditoria do repositório. As mais relevantes até agora:
- 2026-04-28: cifras DIEESE (% mulheres, % negras) atualizadas de valores aproximados (92,5% e 67,4%) para os valores exatos do Infográfico DIEESE de abril de 2025 (91,9% e 69,0%).
- 2026-05-04: hiato salarial racial corrigido de 76% para 84% após cruzamento direto com a Tabela 5 do Boletim Especial DIEESE 2025; o valor 76% inicial era um seed não verificado.
Se você encontrar um erro, abra uma issue no repositório GitHub ou contate diretamente o STDMSP (sindomesticastdmsp.com.br).