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Metodologia

Fontes, variáveis, transformações, limitações conhecidas e como citar.

1. Sobre este painel

O Painel Trabalho Doméstico no Brasil é uma ferramenta pública de visualização e consulta de dados sobre as trabalhadoras e os trabalhadores domésticos brasileiros. É construído pelo pesquisador Jean-François Mayer (Concordia University, comparative politics, RITHAL) em colaboração com o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Município de São Paulo (STDMSP) e desenvolvimento técnico de Joao Roque.

O painel reúne três tipos de evidência: (i) agregados oficiais da PNAD Contínua (IBGE) computados pelo nosso ETL diretamente da API do SIDRA; (ii) dados internacionais do ILOSTAT para comparativos da América Latina; (iii) cifras complementares atribuídas ao DIEESE quando o SIDRA não expõe a desagregação necessária (caso da composição por cor/raça e da razão salarial entre negras e não-negras).

O painel é destinado simultaneamente a quatro audiências: as próprias trabalhadoras (calculadora pessoal de comparação), os sindicatos (gráficos incorporáveis), pesquisadoras(es) (dados abertos, esta página, citação estável) e o público interessado em política trabalhista brasileira.

2. Fontes

CódigoFonteURLCobertura temporal
PNADC-6320IBGE — PNAD Contínua trimestral móvel, Tabela 6320 (Pessoas ocupadas por posição na ocupação)sidra.ibge.gov.br/tabela/63202012Q1 → presente
PNADC-6383IBGE — PNAD Contínua trimestral fixo, Tabela 6383 (Trabalhadores domésticos por número de domicílios)sidra.ibge.gov.br/tabela/63832012Q1 → presente
PNADC-6391IBGE — PNAD Contínua trimestral móvel, Tabela 6391 (Rendimento médio por grupamento de atividade)sidra.ibge.gov.br/tabela/63912012Q1 → presente
ILOSTATOrganização Internacional do Trabalho — Domestic workers by sex and status in employment (ISCO-08 91)ilostat.ilo.org2008 → presente
DIEESE-2025DIEESE — Boletim Especial: Trabalho doméstico remunerado no Brasil: um trabalho de cuidados (abril 2025)PDF do boletimBase PNADC 4º trimestre 2024
DIEESE-INFO-2025DIEESE — Infográfico Trabalho doméstico no Brasil (abril 2025)infográficoBase PNADC 4º trimestre 2024
DIEESE-INFO-2026DIEESE — Infográfico Trabalhadoras Domésticas no Brasil (abril 2026)PDF do infográficoBase PNADC 4º trimestre 2025

3. Variáveis e definições

Cada gráfico do painel mapeia para uma combinação específica de tabela, variável SIDRA e categoria de classificação. Esta seção documenta cada um.

3.1 Total de trabalhadoras(es) domésticas(os) — gráfico de tendência

3.2 Taxa de formalização (% com carteira)

3.3 Rendimento médio mensal real — setor "Serviços domésticos"

3.4 Mensalistas vs. diaristas

3.4b Composição por sexo (série temporal)

3.5 Composição por cor/raça (série temporal)

3.6 Hiato salarial racial (série temporal)

3.6b Jornada média e contribuição previdenciária (Brasil)

3.7 Distribuição por UF (gráfico de barras)

3.7b Mapa: composição racial por UF

3.7d Jornada média e contribuição previdenciária (Foco em SP)

3.8 Comparativo internacional — Brasil ↔ México (trajetória)

3.8b Status legal — Convenção 189 da OIT

3.7c Intervalos de confiança e tamanho amostral (mapa por UF)

3.9 Anotações de linha do tempo política

3.10 Escolaridade (Phase D1)

3.11 Posição no domicílio (Phase D2)

3.12 Moradia — forma de habitação (Phase D3)

3.13 Paradoxo do sustento — chefe × salário × raça (Tema 1)

3.14 Coortes e mobilidade — onde estão as jovens? (Tema 2)

3.15 Resíduo da casa-grande — geografia da residência (Tema 3)

3.16 Geografia do descumprimento — formalização × raça × UF (Tema 4)

3.17 Efeito do piso — salário mínimo × razão salarial (Tema 5)

3.18 Hiato por hora — decompondo o hiato mensal

3.19 Reforma trabalhista e contrato mensalista (V4024 × VD4009, hipótese DiD refinada)

3.20 Hiato salarial dentro do contrato (snapshot 1T 2026)

4. Notas metodológicas

4.1 Trimestre móvel × trimestre fixo

A PNADC é divulgada em duas frequências distintas: trimestre móvel (janela de 3 meses atualizada mensalmente, ex.: dezembro 2025–janeiro–fevereiro 2026 → código 202602) e trimestre fixo (calendar quarter, ex.: 1º trimestre 2026 → código 202601). As duas séries não são idênticas na granularidade temporal: a trimestre móvel cobre 12 pontos por ano, a fixa cobre 4. O painel usa a trimestre móvel para a série histórica de contagem e formalização, e a trimestre fixa para os cortes UF e mensalistas/diaristas. Os códigos de período preservam a forma original (6 dígitos YYYYMM) para permitir distinção.

4.2 Real vs. nominal

Os valores de rendimento usados no painel são em reais constantes (real, deflacionado pelo INPC) e não em reais correntes (nominal). Isto é o padrão do IBGE para séries históricas e permite comparar 2012 com 2026 sem que a inflação distorça a leitura.

4.3 "Trabalhador doméstico" × "Serviços domésticos"

O IBGE usa duas definições próximas mas não idênticas:

A sobreposição é alta mas não total: a categoria de posição inclui empregadas(os) que trabalham em atividades não-domésticas dentro do domicílio, e o setor inclui pessoas com outras posições (ex.: autônomos prestando serviços ocasionais). Onde fazemos uso do setor para inferir cifras sobre trabalhadoras domésticas (caso do salário, gráfico 3.3), explicitamos a substituição.

4.4 ILOSTAT ISCO-08 91 × PNADC "Trabalhador doméstico"

Para o comparativo internacional, usamos a classificação ocupacional ISCO-08 do ILOSTAT, sub-grupo 91 ("Cleaners and helpers"). Esta classificação inclui trabalhadoras domésticas mas também faxineiras de escritórios, auxiliares de limpeza em hospitais e hotéis, etc. O total brasileiro pelo ILOSTAT (~7,2 milhões em 2025) é, portanto, maior que o total brasileiro pela PNADC para "Trabalhador doméstico" (~5,5 milhões no mesmo período). A comparação entre países dentro do ILOSTAT é válida (todos os países usam a mesma classificação); a comparação entre ILOSTAT e PNADC é uma comparação entre populações distintas e não deve ser feita.

4.5 Linha de base populacional e índice de sobrerrepresentação

O problema. Todos os gráficos do painel que mostram "% pretas + pardas entre trabalhadoras domésticas" carregam um risco interpretativo se forem lidos sem uma linha de base populacional. Um estado pode ter baixa porcentagem de domésticas pretas + pardas em termos absolutos e ainda assim apresentar alta sobrerrepresentação racial no setor, se sua população geral tiver poucas pretas + pardas. O paradoxo de Santa Catarina ilustra: cerca de 25% das domésticas em SC são pretas + pardas (baixo em termos absolutos comparado à Bahia, onde o número é 90%), mas a população geral catarinense é apenas ~23% pretas + pardas — sobrerrepresentação ratio de ~1,1× — enquanto a Bahia tem uma população geral 80% pretas + pardas, com sobrerrepresentação ~1,12×. Ler o mapa apenas pelo absoluto sugere "Bahia é mais racializada" quando na verdade as duas estão em níveis similares de sobrerrepresentação, e estados como Paraná (~35% no setor / ~35% pop. geral → ~1,9×) ou São Paulo (~60% no setor / ~43% pop. geral → ~1,4×) são mais racializados em termos relativos.

O índice. Definimos o índice de sobrerrepresentação racial como: % pretas+pardas entre domésticas ÷ % pretas+pardas na população geral do mesmo estado. Leitura: 1,00× = paridade (proporção idêntica); > 1 = pretas + pardas sobrerrepresentadas no setor (a regra no Brasil); < 1 = sub-representadas (raro). A linha de base BR é 67,5% (domésticas) ÷ 59,1% (população geral) ≈ 1,14× — no agregado nacional, pretas + pardas estão sobrerrepresentadas em ~14% no trabalho doméstico relativamente à sua participação na população em geral.

Fonte dos dados de base. A composição racial da população geral por UF é computada pelo script etl/probe_general_pop_race.py a partir do mesmo microdado PNADC usado em todos os outros recortes do painel — apenas sem o filtro VD4009 (mantém todos os indivíduos, não só domésticas). O arquivo gerado é dashboard/data/general_pop_race.json. Re-rodar o script quando um novo trimestre PNADC for ingestado. O cálculo usa pesos amostrais V1028; a referência atual no painel é o 1T 2026 (último disponível).

Onde isso aparece no painel. (a) O mapa por UF tem um terceiro botão de visualização ("Sobrerrepresentação"); o tooltip mostra os três valores (% no setor, % na população geral, ratio). (b) O tile KPI "Negras (pretas + pardas)" exibe a base BR (~59%) e a sobrerrepresentação (~1,14×) abaixo do valor principal. (c) O gráfico de composição racial ao longo do tempo traz a linha de base populacional na descrição do gráfico (parda 45,3%, branca 43,5%, preta 10,2%). (d) Os outros painéis UF × raça (sub-painel geográfico da seção Reforma, KPIs por UF) carregam a mesma lógica via tooltip e nota metodológica.

Limitações. A base populacional é por raça mas não por raça × sexo. Como ~92% das trabalhadoras domésticas são mulheres, o ideal seria comparar com a composição racial da população feminina, não da população total. Para o BR-wide essa correção é pequena (a composição racial é praticamente independente de sexo); para alguns estados (com perfis migratórios desbalanceados) pode haver diferença pequena. O painel reporta a base populacional total e flagga a limitação aqui.

5. Limitações conhecidas

  1. Cortes raça × posição × UF não estão nos agregados SIDRA. O IBGE publica agregados que cruzam, separadamente: posição × período (Tabela 6320), posição × UF (Tabela 6383), rendimento × cor/raça × ocupação (Tabela 5 do Boletim DIEESE). Mas não publica o cruzamento triplo. Para obtê-lo precisaríamos processar os microdados PNADC, o que requer download dos arquivos de largura fixa do FTP do IBGE e cálculo de pesos amostrais — fora do escopo desta versão.
  2. Cifras DIEESE têm cadência semestral, PNADC tem cadência mensal. A composição por cor/raça e a razão salarial racial são revisadas em abril e novembro pelo DIEESE; entre essas datas, mostramos o último valor publicado, podendo estar até seis meses defasado. As séries de contagem e formalização da PNADC, em contraste, são atualizadas mensalmente.
  3. Censo 2022 ainda em divulgação progressiva. Cortes municipais finos (necessários, p.ex., para um painel STDMSP focado em São Paulo capital) dependem dos microdados do Censo 2022, cuja divulgação está em andamento até 2026. Quando estiverem disponíveis, vamos integrar.
  4. Marca histórica de 2020. A pandemia de COVID-19 interrompeu o trabalho de campo da PNADC; alguns trimestres de 2020-2021 têm cobertura amostral reduzida. Tratamos os valores como publicados pelo IBGE sem ajuste; a queda visível no gráfico de tendência é real (perda massiva de postos) e em parte um artefato da metodologia de coleta naquele período.
  5. Transição da amostra mestra da PNADC (2025–2026). O IBGE está realizando a transição gradual da amostra mestra da PNADC, que passa de um desenho baseado no Censo 2010 para um baseado no Censo 2022. O processo se conclui em 2026 e reflete melhor a realidade territorial atualizada. Para o painel, isso significa que comparações entre trimestres antes e depois da transição carregam um pequeno componente metodológico, além da variação real. Em todas as séries temporais aqui apresentadas, esse efeito é pequeno em relação aos movimentos substantivos observados — mas mencionamos a transição em apoio à transparência.

6. Atualização e versionamento

O painel é atualizado em três cadências distintas:

Toda atualização é registrada em QA_AUDIT.md no repositório, com o que foi conferido, o que mudou, e a próxima data de checagem. Quando uma cifra é corrigida, o registro mantém o valor antigo riscado para que qualquer leitor possa rastrear o histórico — vide a correção 76% → 84% do hiato salarial racial em maio de 2026.

7. Como citar

Sugestão (ABNT):

MAYER, Jean-François; ROQUE, João; SINDICATO DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (STDMSP). Painel Trabalho Doméstico no Brasil. Concordia University / RITHAL, 2026. Disponível em: <https://stdmsp-trabalho-domestico.joaoroquer.workers.dev/>. Acesso em: [data].

Sugestão (APA 7):

Mayer, J.-F., Roque, J., & Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Município de São Paulo (STDMSP). (2026). Painel Trabalho Doméstico no Brasil [Painel de dados]. Concordia University / RITHAL. https://stdmsp-trabalho-domestico.joaoroquer.workers.dev/

Para citar uma cifra específica, recomendamos incluir o período (trimestre móvel ou trimestre fixo) e a fonte do gráfico, pois o painel é vivo:

"5,49 milhões de trabalhadoras(es) domésticas(os) no Brasil no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026 (PNADC Tabela 6320, conforme Painel STDMSP, acesso em XX/XX/2026)"

8. Erros, correções e auditoria

Toda correção realizada após a publicação inicial fica documentada no log de auditoria do repositório. As mais relevantes até agora:

Se você encontrar um erro, abra uma issue no repositório GitHub ou contate diretamente o STDMSP (sindomesticastdmsp.com.br).