1. Sobre este painel
O Painel Trabalho Doméstico no Brasil é uma ferramenta pública de visualização e consulta de dados sobre as trabalhadoras e os trabalhadores domésticos brasileiros. É construído pelo pesquisador Jean-François Mayer (Concordia University, comparative politics, RITHAL) em colaboração com o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Município de São Paulo (STDMSP) e desenvolvimento técnico de Joao Roque.
O painel reúne três tipos de evidência: (i) agregados oficiais da PNAD Contínua (IBGE) computados pelo nosso ETL diretamente da API do SIDRA; (ii) dados internacionais do ILOSTAT para comparativos da América Latina; (iii) cifras complementares atribuídas ao DIEESE quando o SIDRA não expõe a desagregação necessária (caso da composição por cor/raça e da razão salarial entre negras e não-negras).
O painel é destinado simultaneamente a quatro audiências: as próprias trabalhadoras (calculadora pessoal de comparação), os sindicatos (gráficos incorporáveis), pesquisadoras(es) (dados abertos, esta página, citação estável) e o público interessado em política trabalhista brasileira.
2. Fontes
| Código | Fonte | URL | Cobertura temporal |
|---|---|---|---|
PNADC-6320 | IBGE — PNAD Contínua trimestral móvel, Tabela 6320 (Pessoas ocupadas por posição na ocupação) | sidra.ibge.gov.br/tabela/6320 | 2012Q1 → presente |
PNADC-6383 | IBGE — PNAD Contínua trimestral fixo, Tabela 6383 (Trabalhadores domésticos por número de domicílios) | sidra.ibge.gov.br/tabela/6383 | 2012Q1 → presente |
PNADC-6391 | IBGE — PNAD Contínua trimestral móvel, Tabela 6391 (Rendimento médio por grupamento de atividade) | sidra.ibge.gov.br/tabela/6391 | 2012Q1 → presente |
ILOSTAT | Organização Internacional do Trabalho — Domestic workers by sex and status in employment (ISCO-08 91) | ilostat.ilo.org | 2008 → presente |
DIEESE-2025 | DIEESE — Boletim Especial: Trabalho doméstico remunerado no Brasil: um trabalho de cuidados (abril 2025) | PDF do boletim | Base PNADC 4º trimestre 2024 |
DIEESE-INFO-2025 | DIEESE — Infográfico Trabalho doméstico no Brasil (abril 2025) | infográfico | Base PNADC 4º trimestre 2024 |
DIEESE-INFO-2026 | DIEESE — Infográfico Trabalhadoras Domésticas no Brasil (abril 2026) | PDF do infográfico | Base PNADC 4º trimestre 2025 |
3. Variáveis e definições
Cada gráfico do painel mapeia para uma combinação específica de tabela, variável SIDRA e categoria de classificação. Esta seção documenta cada um.
3.1 Total de trabalhadoras(es) domésticas(os) — gráfico de tendência
- Fonte:
PNADC-6320 - Variável SIDRA:
4090— Pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência (mil pessoas) - Classificação:
c11913(Posição na ocupação e categoria do emprego no trabalho principal), categoria31724("Trabalhador doméstico" — total) - Granularidade temporal: trimestre móvel (janela de 3 meses, atualizada mensalmente)
- Granularidade geográfica: Brasil apenas (a Tabela 6320 não suporta nível UF para esta classificação)
3.2 Taxa de formalização (% com carteira)
- Fonte:
PNADC-6320(mesma) - Cálculo: razão entre categoria
31725("Trabalhador doméstico — com carteira de trabalho assinada") e categoria31724(total), por período - Marcos regulatórios relevantes: EC 72/2013, LC 150/2015, decisão do STF de 2020
3.3 Rendimento médio mensal real — setor "Serviços domésticos"
- Fonte:
PNADC-6391 - Variável SIDRA:
5932— Rendimento médio mensal real, habitualmente recebido no trabalho principal (em reais constantes) - Classificação:
c888(Grupamento de atividade), categoria56628("Serviços domésticos") - Nota: o setor Serviços domésticos da PNADC e a categoria Trabalhador doméstico do c11913 não são idênticos, mas sobrepõem-se em mais de 95% no nível de contagem; usamos o setor como proxy para o salário desta população quando a desagregação direta não está disponível
3.4 Mensalistas vs. diaristas
- Fonte:
PNADC-6383 - Variável SIDRA:
8336 - Classificação:
c785(Número de domicílios em que trabalhavam), categorias40277("em um único domicílio" — proxy de mensalistas) e40278("em mais de um domicílio" — proxy de diaristas) - Nota: a Tabela 6383 oferece apenas a classificação por número de domicílios, não por contrato em si. A LC 150/2015 estabelece a fronteira jurídica em 2 dias por semana por empregador; o SIDRA não publica esse corte exato, mas o número de domicílios é uma aproximação amplamente aceita
3.4b Composição por sexo (série temporal)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— mesma origem das séries 3.5 e 3.6, agora aplicandoV2007(sexo) com pesosV1028. - Cobertura: 56 trimestres, 2012Q1 → 2025Q4. Atualizada a cada nova divulgação trimestral.
- Achado: a participação feminina caiu ligeiramente de 93,0 % (2012) para 91,7 % (2025) — uma diminuição de 1,3 pp ao longo de 13 anos. O declínio acelerou durante a COVID-19 (homens voltaram em número ligeiramente maior quando mulheres foram forçadas a sair). Combinado com 3.5 (racialização +5,2 pp) e 3.6 (hiato salarial estável), o quadro: trabalhadoras domésticas são mais negras, um pouco menos femininas e igualmente sub-remuneradas em 2025 vs. 2012. Mas mesmo no extremo do declínio, ~92 % continuam sendo mulheres — feminização extrema.
- Histórico: até 05/2026 esta cifra era atribuída ao DIEESE como valor estático único (91,9 %); foi substituída pela série temporal computada após o pipeline de microdados ser estendido para incluir agregações por sexo.
3.5 Composição por cor/raça (série temporal)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— microdados oficiais da PNAD Contínua trimestral, processados pelo nosso ETL (etl/pnadc_microdata.py) com aplicação dos pesos amostrais V1028. - Cobertura: 56 trimestres fixos, 2012Q1 → 2025Q4. Atualizado a cada nova divulgação trimestral do IBGE (~6-8 semanas após o fim do trimestre).
- Variáveis usadas:
VD4009(posição na ocupação, filtros "03" trabalhador doméstico com carteira + "04" sem carteira),V2010(cor/raça),V1028(peso amostral pré-calibrado). - Validação: nosso valor para 4T 2024 (68,3% pretas+pardas) coincide com o valor publicado pelo DIEESE no Boletim Especial abr/2025 (~68,5%) dentro de 0,2 pp — bem dentro da margem de erro amostral da PNADC.
- O que isto desbloqueia: trajetória ao longo de 13 anos. Achado central: a participação de pretas + pardas no trabalho doméstico subiu de 62,5% (2012Q1) para 67,7% (2025Q4), +5,2 pp ao longo de 13 anos — a racialização do trabalho doméstico se intensificou, não diminuiu, ao longo dos marcos regulatórios EC 72/2013 e LC 150/2015 e do choque da COVID-19.
- Histórico: até 05/2026 esta cifra era atribuída ao DIEESE como valor estático único (69%); foi substituída pela série temporal computada após implementação do pipeline de microdados.
3.6 Hiato salarial racial (série temporal)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— mesma origem da composição racial (3.5), aplicando a variávelVD4019(rendimento mensal habitual do trabalho principal) com pesos amostraisV1028. - Cálculo: para cada trimestre, computamos a média ponderada do rendimento de trabalhadoras(es) domésticas(os) negras (pretas + pardas) e não-negras (brancas + amarelas + indígenas) separadamente, e tomamos a razão (negras ÷ não-negras × 100).
- Cobertura: 56 trimestres, 2012Q1 → 2025Q4.
- Validação: nosso valor para 4T 2024 (84,3 %) coincide com o publicado pelo DIEESE no Boletim Especial abr/2025 (84,0 %, base feminina) dentro de 0,3 pp — pequena diferença porque incluímos homens (~5 % da categoria, com salário ligeiramente maior em média).
- Achado central: o hiato ficou estável entre 84 % e 87 % ao longo de 13 anos. Combinando com o achado de 3.5 (a participação de pretas + pardas na categoria subiu de 62,5 % para 67,7 %), o quadro é nítido: mulheres negras são uma parcela crescente de uma ocupação cuja desvantagem salarial racial não diminuiu.
- Sobre nominal × real: os salários computados aqui estão em reais nominais (correntes), não deflacionados. Para a razão isso é irrelevante (numerador e denominador estão na mesma moeda do mesmo período); para a série de salário absoluto continuamos usando a Tabela PNADC-6391 (deflacionada pelo IBGE).
- Histórico: até 05/2026 esta cifra era atribuída ao DIEESE como valor estático único (76 %, depois corrigido para 84 %); foi substituída pela série temporal computada após o pipeline de microdados ser estendido para incluir agregações salariais.
3.6b Jornada média e contribuição previdenciária (Brasil)
- Fontes:
fact_hoursefact_prev(variáveisV4039eV4032da PNADC, agregadas pela equipe do projeto) - Recorte: nível país, sexo=T, formality=total, raça em {
preta_parda,nao_negras,total}. As linhas raça-específicas usam o agregado nao_negras = branca + amarela + indígena para limitar o número de séries no gráfico - Cobertura: 56 trimestres (1T 2012 → 4T 2025) · pesos amostrais
V1028aplicados - Linha de referência no gráfico de jornada: 44h/semana — limite legal definido pela Constituição Federal Art. 7º, XIII e estendido às trabalhadoras domésticas pela LC 150/2015 Art. 2º
- Achados centrais:
- Jornada média ~32h/semana, estável em 13 anos — a categoria é majoritariamente diarista, não cumprindo a definição clássica de "tempo integral"
- Taxa de previdência ~14,6% — drasticamente abaixo da taxa de formalização (24%). Isso significa que mesmo entre as trabalhadoras com carteira assinada, muitas não estão tendo a contribuição efetivamente recolhida. É a métrica mais sensível para o argumento de descumprimento da LC 150/2015
- Limitação: o gráfico não mostra a quebra por formalidade (com carteira × sem carteira) ao nível Brasil porque o pipeline atual emite a agregação raça=total apenas com formality=total. A combinação raça=total × formality=com_carteira pode ser computada por soma ponderada a partir das linhas raça-específicas (peso = workers_thousands de
fact_workers) — ficou no backlog
3.7 Distribuição por UF (gráfico de barras)
- Fonte primária:
PNADC-MICRODATA(microdados PNAD Contínua agregados pela equipe do projeto, aplicandoV1028e variávelUF) - Fonte de retaguarda:
PNADC-6383(SIDRA agregado), usado quando os microdados não estão carregados - Granularidade: 27 UFs, último trimestre disponível
- Por que microdados em vez do agregado SIDRA: consistência interna com o mapa (3.7b), composição racial (3.5) e demais séries computadas — todas vêm da mesma agregação ponderada dos microdados
3.7b Mapa: composição racial por UF
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— extensão da agregação 3.5 com a variávelUF(código IBGE 2 dígitos), aplicada com pesos amostraisV1028sobreVD4009 ∈ {03, 04}(trabalhador doméstico com/sem carteira) - Cobertura: 27 UFs × 56 trimestres (1T 2012 → 4T 2025), ~12 mil linhas em
fact_workerscomgeo_level='uf' - Dimensões disponíveis: % pretas + pardas entre trabalhadoras(es) domésticas(os) (padrão) e total absoluto em milhares (alternativa). O filtro de Ano controla o trimestre exibido (último de cada ano calendário)
- Geometria: SVG estático em
dashboard/assets/brazil-uf.svg, gerado de uma única vez poretl/build_uf_svg.pya partir do GeoJSON IBGE simplificado por Ramer-Douglas-Peucker (epsilon=0,05° ≈ 5,5 km, ~37 KB resultantes) - Achado central: o gradiente geográfico segue exatamente a geografia histórica do trabalho doméstico no Brasil. Bahia 90,3 % é o pico nacional; o Nordeste e a Amazônia ficam todos acima de 80 %. O Sul (Santa Catarina 29,4 %, Rio Grande do Sul 32,0 %) é o piso. São Paulo, sede do STDMSP, está em 56,4 % — abaixo da média nacional (~69 %), mas com 1,26 milhão de trabalhadoras domésticas, é de longe a maior categoria absoluta do país
- Validação: a soma dos 27 totais estaduais reconcilia com o total Brasil dentro de 0,02 pp (1,18 mil sobre 5,57 milhões), o que confirma que a agregação ponderada não tem viés sistemático
- Limitação: UFs pequenas (RR, AP, AC, TO) com células raciais raras (especialmente indígena e amarela) podem ter estimativas ruidosas. A leitura de cabeçalho — % pretas + pardas — é robusta em todas as UFs, com tamanho amostral suficiente em todos os 56 trimestres
3.7d Jornada média e contribuição previdenciária (Foco em SP)
- Fontes:
fact_hoursefact_prev, novas tabelas populadas pela pipeline PNADC microdados (variáveisV4039— horas habituais por semana no trabalho principal — eV4032— era contribuinte de previdência na semana de referência) - Recorte: UF=SP, sexo=T, formality=total, raça em {
preta_parda,nao_negras}; mais o total Brasil como referência cinza pontilhada - Cobertura: 56 trimestres (1T 2012 → 4T 2025), com 1 trimestre intermediário (3T 2025) re-corrido após falha de espaço em disco
- Linha de referência: o gráfico de jornada inclui linha horizontal pontilhada a 44h/semana, o limite legal definido pela CLT (Art. 7º, XIII da CF) e mantido para domésticas pela LC 150/2015 Art. 2º
- Achados centrais (4T 2025 em SP):
- Jornada média: 32,4 h/semana (preta+parda 33,2h · não-negras 31,4h) — bem abaixo do limite legal, refletindo a alta proporção de diaristas em SP
- % sobre 44h: ~9,6% — apenas uma em cada dez trabalha mais do que o limite
- Contribuição previdenciária: 19,8% em SP (preta+parda 20,4% · não-negras 19,2%), ligeiramente acima da média nacional (~14,6%)
- O gap entre taxa de formalização (24%) e contribuição previdenciária (14,6%) nacional indica que mesmo entre trabalhadoras com carteira, muitas não estão tendo a contribuição efetivamente recolhida
- Limitação: o recorte UF é feito ao nível
formality=total. Para mostrar especificamente a diferença entre com carteira e sem carteira em SP, a pipeline precisaria emitirUF × formalityalém deUF × race. Não está pronto nesta versão; ficará no backlog até a STDMSP indicar se essa visão importa
3.8 Comparativo internacional — Brasil ↔ México (trajetória)
- Fonte:
ILOSTAT - Indicador:
EMP_TEMP_SEX_OC2_NB_Acom filtro ISCO-08 grupo 91 ("Cleaners and helpers") - Forma do gráfico: linhas anuais. Brasil e México aparecem em destaque (linhas grossas, vermelho-chita e grafite); os demais 6 países da América Latina (Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Equador) aparecem como contexto em cinza tracejado
- Por que BR ↔ MX em destaque: o eixo comparativo da pesquisa de Jean-François Mayer (Concordia) é justamente o par Brasil-México — duas das maiores categorias de trabalho doméstico da América Latina, ambas com legislação federal específica (LC 150/2015 no BR; reformas IMSS 2019–2024 no MX), e ambas com ratificação da Convenção 189 da OIT
- Cobertura: BR 2012–2025 (14 pontos), MX 2013–2025 (13 pontos). Os outros países variam (Peru tem só 4 pontos; Argentina, Uruguai, Colômbia têm séries de ~15 anos)
- Aviso importante (mantido): ISCO-08 91 é mais amplo que a categoria "Trabalhador doméstico" do IBGE — inclui faxineiras de escritório, auxiliares de limpeza em hotelaria, hospital, etc. Os totais nacionais aqui (BR ~7,8 milhões em 2025) são maiores que os totais da PNADC para a mesma população (5,5 milhões). A comparação só é válida entre países dentro do ILOSTAT, não entre ILOSTAT e PNADC
- Próximos passos (P2.2): completar dimensões adicionais (% mulheres, taxa de informalidade) por país, exigindo extensão do
fetch_ilostat.pypara puxar indicadores complementares. Decisão pendente; não bloqueia esta versão
3.8b Status legal — Convenção 189 da OIT
- Fonte: NORMLEX, banco de dados oficial da OIT sobre normas internacionais do trabalho (link direto à C189)
- Indicador: ano de ratificação da Convenção 189 (Trabalhadoras e Trabalhadores Domésticos, 2011) por país
- Dados (estáticos, codificados manualmente — verificados contra o NORMLEX em 2026-05): Uruguai 2012-06 · Equador 2013-12 · Argentina 2014-03 · Colômbia 2014-05 · Chile 2015-06 · Brasil 2018-01 · Peru 2018-11 · México 2020-07
- Por que importa: a C189 é o instrumento internacional vinculante que reconhece trabalhadoras domésticas como categoria com direitos iguais aos de outras profissões. A ratificação obriga o país a adequar a legislação interna. No caso brasileiro, a LC 150/2015 (Lei das Domésticas) antecedeu a ratificação (2018), invertendo a sequência típica em que o tratado força a reforma interna. Uruguai foi o primeiro país do mundo a ratificar, em junho de 2012, um ano depois da adoção da Convenção pela Conferência da OIT
3.7c Intervalos de confiança e tamanho amostral (mapa por UF)
- Cálculo: intervalo de Wilson (95%) para a proporção, ancorado no tamanho amostral não-ponderado da linha
race='total'de cada UF. A fórmula:(p + z²/2n ± z√(p(1−p)/n + z²/4n²)) / (1 + z²/n), comz = 1,96. - Por que Wilson e não normal: o intervalo de Wilson é o padrão recomendado para proporções porque não fica enviesado em direção a 0 ou 100% em amostras pequenas. Para os 27 UFs, isso é especialmente relevante: UFs grandes (SP, MG, BA) têm IC estreito (~±1 pp), UFs pequenas (RR, AP, AC) podem ter IC de ±5–8 pp.
- Onde aparece no painel: na tooltip do mapa, abaixo da estimativa pontual de % negras. Formato: "IC 95%: 54,8% – 57,9%".
- Supressão de amostras muito pequenas:
n_unweighted < 30— UF é cinzeada no mapa e a tooltip marca "estimativa pouco confiável"30 ≤ n_unweighted < 100— UF mantém a cor, mas a tooltip mostra um aviso de "amostra pequena"n_unweighted ≥ 100— sem marca adicional, apenas o IC entre parênteses
- Limitação importante: o IC capta apenas a variabilidade da amostra. Não captura erro de viés (e.g., subnotificação sistemática de trabalho informal pelas próprias entrevistadas), erro de cobertura (e.g., domicílios em áreas precárias subamostrados), ou viés de medida (e.g., autoclassificação racial). Para essas fontes de incerteza, a metodologia da PNAD Contínua publicada pelo IBGE é a referência.
3.9 Anotações de linha do tempo política
- Fonte: hardcoded em
dashboard/index.html· funçãobuildPolicyAnnotations() - Eventos marcados (linhas verticais tracejadas nos gráficos de série temporal):
- EC 72/2013 — emenda constitucional que igualou direitos das trabalhadoras domésticas aos demais empregados (abril/2013)
- LC 150/2015 — Lei das Domésticas, regulamentando a EC 72/2013 (entrou em vigor em junho/2015)
- Brasil ratifica C189 — Convenção 189 da OIT (janeiro/2018)
- COVID-19 — início dos lockdowns no Brasil (março/2020)
- México ratifica C189 — relevante para o comparador BR ↔ MX (julho/2020)
- Por que importam: localizam empiricamente onde a política deveria ter produzido inflexões. A leitura das séries fica menos abstrata — o leitor pode olhar para "% formalização" em junho/2015 e ver o efeito (ou ausência dele) da LC 150 visualmente, sem precisar reconstituir a cronologia mentalmente.
3.10 Escolaridade (Phase D1)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA· variávelVD3004(nível de instrução mais elevado alcançado), agregada pela equipe do projeto com pesos amostraisV1028. - Categorias: os 7 códigos nativos da PNADC (1 a 7) são colapsados em 5 buckets, seguindo a convenção do DIEESE para facilitar comparação direta:
- Fundamental incompleto — códigos 1 (Sem instrução / menos de 1 ano) + 2 (Fundamental incompleto). Agrupar 1 com 2 segue o Infográfico DIEESE abr/2026, que reporta "39% fundamental incompleto" como bucket único.
- Fundamental completo — código 3.
- Médio incompleto — código 4.
- Médio completo — código 5.
- Superior — códigos 6 (incompleto) + 7 (completo).
- Cortes emitidos pela pipeline: BR × sexo='T' × raça × bucket. Inclui as raças nativas (branca, preta, parda, amarela, indígena), os agregados
preta_parda(negras) enao_negras(branca + amarela + indígena), etotal. - Cálculo do %:
pct_within_race= soma de pesos no bucket / soma total de pesos da raça. É um percentual dentro do grupo racial, não do total da categoria. - Validação cruzada: para a categoria como um todo, a soma Fundamental incompleto + Médio incompleto deve aproximar o "59% sem educação básica completa" reportado pelo DIEESE Infográfico abr/2026.
- Gráfico no painel: barras agrupadas verticais, 5 buckets no eixo X, duas barras por bucket (Negras vs. Não-negras), no trimestre fixo mais recente disponível.
3.11 Posição no domicílio (Phase D2)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA· variávelV2003(condição no domicílio), agregada pela equipe do projeto com pesos amostraisV1028. - Categorias: os 17 códigos nativos da PNADC (01 a 17) são colapsados em 4 buckets para clareza visual e foco no recorte que tem rendimento de manchete (% chefe de família):
- Chefe de família — código 01 (Pessoa responsável). DIEESE Infográfico abr/2026 publica 46% como cifra de manchete para a categoria como um todo.
- Cônjuge — código 02 (Cônjuge / companheiro/a).
- Filha(o) / enteada(o) — códigos 03 (Filha/o) + 04 (Enteada/o).
- Outro / agregada — códigos 05 a 17 (genro/nora, pai/mãe, sogro/a, neto/a, bisneto/a, irmão/ã, outro parente, agregada, convivente, pensionista, empregada doméstica residente, parente do empregado, individual em domicílio coletivo).
- Cortes emitidos pela pipeline: BR × sexo='T' × raça × bucket. Mesmas raças que a Phase D1.
- Cálculo do %:
pct_within_race= soma de pesos no bucket / soma total de pesos da raça. Importante: para a cifra de "chefe de família" reportada pelo DIEESE (46%), o denominador é a categoria como um todo, não um grupo racial específico — por isso o valor que mais aproxima o DIEESE érace_code = 'total', não 'preta_parda' ou 'nao_negras'. - Limitação importante: V2003 codifica a relação da pessoa entrevistada com a pessoa responsável pelo domicílio. Não codifica diretamente "mãe solo" ou "domicílio monoparental" — para chegar a esses recortes a próxima iteração teria que cruzar o V2003 com indicadores de presença de cônjuge e de filhos no mesmo domicílio (V1014/V1015 + idades). Fica para uma fase futura se houver demanda.
- Gráfico no painel: barras agrupadas verticais, 4 buckets no eixo X, duas barras por bucket (Negras vs. Não-negras), no trimestre fixo mais recente disponível.
- ⚠ Discrepância pendente com DIEESE: o painel computa cerca de 57% de chefes de família entre trabalhadoras domésticas no 1T 2026 (média ponderada por raça), enquanto o Infográfico DIEESE abr/2026 reporta 46%. A diferença de ~11 pp é grande demais para ser arredondamento ou pequena variação amostral. Hipóteses em investigação: (a) DIEESE pode filtrar para mulheres apenas (V2007=2), enquanto o painel usa sex='T'; (b) corte de idade diferente; (c) definição de "chefe" mais restrita (somente chefes únicos vs co-responsáveis). Antes de citar a cifra do painel como achado publicável, conferir o método DIEESE no boletim semestral correspondente.
3.12 Moradia — forma de habitação (Phase D3)
- Fonte:
PNADC-A· PNAD Contínua ANUAL — Visita 1, variávelS01017(forma de habitação do domicílio), agregada pela equipe do projeto com pesos amostraisV1032(peso COM calibração). - ⚠ Diferença de cadência: este é o único corte do painel que vem da PNAD Contínua Anual, não da trimestral. A PNADC trimestral não inclui variáveis de moradia (V0212 só existe na PNADC Anual). Consequência prática: enquanto os demais cortes têm 56 trimestres de série histórica, a moradia tem uma observação por ano (mais recente:
2024A, divulgada em novembro de 2025). Ainda assim, é a única fonte oficial brasileira de cobertura nacional com microdados sobre as condições de moradia das trabalhadoras domésticas. - Pipeline separada:
etl/pnadc_annual_housing.py(script dedicado, distinto depnadc_microdata.pyque processa a trimestral). Baixa o arquivo PNADC-A Visita 1 do FTP do IBGE, faz parse fixed-width e populafact_housingcomsource_table = 'PNADC-A'. - Categorias: os 7 códigos nativos da S01017 (1 a 7) são colapsados em 4 buckets, com a categoria "cedido pelo empregador" mantida em separado por relevância política:
- Próprio — códigos 1 (Próprio já pago) + 2 (Próprio em pagamento).
- Alugado — código 3 (Alugado).
- Cedido pelo empregador — código 4. Identifica as empregadas domésticas residentes, sub-categoria historicamente menos protegida (vínculo de moradia atrelado ao trabalho). Mantida em separado para tornar visível esse contingente.
- Cedido / outro — códigos 5 (cedido por familiar) + 6 (cedido outra forma) + 7 (outra condição).
- Cortes emitidos pela pipeline: BR × sexo='T' × raça × bucket. Mesmas raças que D1 e D2.
- Cálculo do %:
pct_within_race= soma de pesos no bucket / soma total de pesos da raça. - Achados de manchete: % próprio (taxa de propriedade da casa) e % cedido pelo empregador (sinaliza vulnerabilidade estrutural — moradia depende do vínculo de emprego).
- Limitação importante: S01017 codifica a forma de habitação do domicílio inteiro, repetida em cada registro pessoal. Para a trabalhadora doméstica registrada como empregada residente, S01017 vai indicar a forma de habitação do empregador, não da própria trabalhadora — mas isso é exatamente o que queremos capturar com o bucket "cedido pelo empregador". Para outras trabalhadoras domésticas, S01017 representa a forma de habitação da casa onde ela mora (que não é necessariamente onde ela trabalha).
- Gráfico no painel: barras agrupadas verticais, 4 buckets no eixo X, duas barras por bucket (Negras vs. Não-negras), no trimestre fixo mais recente disponível.
3.13 Paradoxo do sustento — chefe × salário × raça (Tema 1)
- Fontes:
PNADC-MICRODATA· variáveisV2003(condição no domicílio) cruzada comVD4019(rendimento mensal habitual em qualquer trabalho), com pesos amostraisV1028. - O que o gráfico mostra: salário médio mensal por (raça × posição no domicílio) entre trabalhadoras(es) domésticas(os). 4 buckets de posição (chefe, cônjuge, filha/enteada, outro/agregada) × 2 séries de raça (negras = pretas + pardas, não-negras = branca + amarela + indígena). O recorte de manchete é o par de barras chefe: as barras mostram que negras chefes ganham menos que não-negras chefes e que as próprias chefes negras concentram mais responsabilidade financeira que as não-negras (60% vs 55% — ver §3.11).
- Cálculo: média ponderada do rendimento entre as pessoas com
VD4019 > 0dentro de cada célula (raça × posição). Quem não recebe (não-ocupado ou sem rendimento informado) é excluído desse cálculo específico para não puxar a média artificialmente para baixo — mas continua contando no denominador depct_within_racee non_unweightedda célula. O painel reporta separadamentewage_n_with_income, o tamanho amostral que efetivamente alimentou a estimativa de salário. - Valores nominais, não deflacionados: por simplicidade, o salário aqui está em reais nominais (correntes do trimestre exibido). Para a leitura intertemporal (trajetória 2012→presente em reais constantes), continuar usando o gráfico "Rendimento médio mensal real" na seção principal — esse usa a Tabela PNADC-6391 deflacionada pelo IBGE. Os dois cortes respondem perguntas diferentes: este cruzamento é estritamente para a leitura intra-trimestre do paradoxo; o gráfico de tendência da seção principal continua sendo a referência para movimento ao longo do tempo.
- Por que isto importa: o cruzamento posição × raça × rendimento nunca foi publicado pelo DIEESE. O Infográfico abr/2026 reporta 46% chefes de família agregado, sem disaggregar por raça, e reporta o hiato salarial sem cruzar com posição no domicílio. Este painel é a primeira fonte oficial brasileira a publicar o cruzamento completo — torna empiricamente visível o que Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Joaze Bernardino-Costa, Adriana Lopes e Yannet Lara descreveram qualitativamente: a mulher negra como pilar econômico do domicílio, na ocupação mais precária do mercado, recebendo a penalidade racial mais aguda. A escolha editorial de chamar isso de "paradoxo do sustento" e dar à seção um destaque visual diferenciado é parte da contribuição do painel — não é só dado.
- Limitação importante (cont.): vale a mesma ressalva da §3.11 sobre o nível absoluto de % chefe. Enquanto o gap racial (~5 pp) é internamente consistente, o nível agregado (~57%) difere do reportado pelo DIEESE (46%) — provavelmente por diferença de denominador (mulheres só? corte etário?). Para uso publicável: o gap entre negras e não-negras é a contribuição segura; a calibragem absoluta precisa de confirmação com a nota técnica do DIEESE.
3.14 Coortes e mobilidade — onde estão as jovens? (Tema 2)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA· variávelV2009(idade na data de referência), agregada pela equipe do projeto em buckets etários alinhados ao DIEESE. - Buckets: 4 faixas etárias que correspondem diretamente à tabela do Infográfico DIEESE abr/2026, permitindo triangulação direta:
- Até 29 anos — DIEESE reporta 12% (categoria total)
- 30 a 44 anos — DIEESE reporta 32%
- 45 a 59 anos — DIEESE reporta 43%
- 60 anos ou mais — DIEESE reporta 13%
- Cortes emitidos pela pipeline: BR × sexo='T' × raça × faixa etária. As raças incluem as nativas (branca, preta, parda, amarela, indígena), os agregados
preta_pardaenao_negras, etotal. Idênticos aos buckets de D1/D2 para coerência entre seções. - O que o gráfico mostra: % até 29 anos ao longo de 56 trimestres (2012Q1 a 2026Q1+), por raça. Duas linhas: negras (preta + parda) e não-negras (branca + amarela + indígena). A leitura é a inclinação: ambas em queda = envelhecimento da categoria; inclinações diferentes = padrão racial na desistência geracional.
- Por que essa pergunta importa: a categoria envelhecida não é só uma constatação demográfica — é um problema para o sindicato (reposição geracional), uma evidência de mobilidade ocupacional (mulheres negras jovens indo para outros setores), e uma fissura na continuidade histórica que Saffioti e Bernardino-Costa descreveram. Se as jovens não estão entrando, alguma coisa do paradigma "casa-grande/senzala atualizada" mudou — ou pelo menos o ponto de entrada se deslocou. O gráfico aqui é o início da conversa, não o fim.
- Coortes verdadeiras × pseudo-coortes: o gráfico é uma série temporal de proporções por faixa, não uma série de coortes de nascimento. Para uma análise de coorte verdadeira (rastrear quem nasceu em 1995, por exemplo, ao longo dos anos), seria necessário explorar a estrutura de painel da PNADC (visita 1 a 5 nos mesmos domicílios) — fora do escopo desta iteração. A leitura aqui é "pseudo-coorte": se a fração de jovens cai sistematicamente, é porque novas coortes entram menos do que coortes anteriores entraram quando eram jovens.
- Triangulação com DIEESE: a fração agregada até 29 anos (raça=total) no trimestre fixo mais recente deveria ficar próxima de 12% (DIEESE abr/2026 reporta esse valor para a categoria como um todo). Se aparecer fora da faixa 8–16%, vale checar a definição de "trabalhadora doméstica" (estamos filtrando por VD4009 ∈ {03,04}).
3.15 Resíduo da casa-grande — geografia da residência (Tema 3)
- Fonte:
PNADC-A· PNAD Contínua Anual — Visita 1, variávelS01017(mesma usada em §3.12), agora desagregada por UF. - Pipeline:
etl/pnadc_annual_housing.pyestendido (Tema 3) para emitir, além das cifras BR-level, agregados por UF × raça × bucket de moradia. Limite de pequena amostra: UFs com menos de 30 observações amostrais não-ponderadas são omitidas para evitar estimativas barulhentas em estados pequenos do Norte. - O que o gráfico mostra: ranking horizontal das 27 UFs (ou menos, descontadas as omitidas por amostra pequena) pelo
pct_within_racede cedido_empregador no recorterace='total'. As três UFs no topo são realçadas em cor de destaque; as demais ficam em cinza neutro. A leitura é direta: onde a moradia residente ainda pesa. - Por que esta visualização importa: o contingente residente é pequeno (~4–5% nacional, segundo a PNADC Anual 2024), mas a geografia é o conteúdo. DIEESE publica o agregado nacional sem desagregação por UF; a literatura sobre "casa-grande/senzala atualizada" (Bernardino-Costa, Gonzalez, Carneiro, Saffioti) é qualitativa e usa exemplos pontuais. O painel oferece a primeira distribuição geográfica sistemática desse resíduo.
- Cautela amostral: a PNADC-A tem cerca de 200k domicílios pesquisados anualmente; ao filtrar para trabalhadoras domésticas residentes em UFs específicas, o n unweighted pode cair para algumas dezenas. Por isso usamos um piso de 30 obs; mesmo com isso, UFs próximas do piso têm intervalos de confiança amplos. O ranking é robusto no terço superior; nas posições intermediárias, a ordem pode variar entre anos por flutuação amostral.
- Cadência: anual. O ranking se atualiza quando uma nova PNADC-A é divulgada (geralmente entre agosto e novembro do ano seguinte).
3.16 Geografia do descumprimento — formalização × raça × UF (Tema 4)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA· variávelVD4009(posição na ocupação, com códigos 03 = com carteira e 04 = sem carteira) cruzada comV2010(cor/raça) eUF, agregada pela equipe do projeto com pesos amostraisV1028. - Pipeline:
build_uf_race_rowsemetl/pnadc_microdata.pyestendida (Tema 4) para emitir células UF × raça × formalidade (com_carteira / sem_carteira / total), além do recorte UF × raça × total que existia antes. Per quarter agora produz ~378 linhas a partir desta função, ~21k linhas no backfill completo. - O que o gráfico mostra: scatter plot — um ponto por UF — onde o eixo horizontal é % com carteira entre não-negras e o vertical é % com carteira entre negras. Cálculo por célula:
workers_thousands(uf, race, com_carteira) / workers_thousands(uf, race, total). A diagonal pontilhada marca sem hiato racial; UFs abaixo dela têm negras mais informalizadas que não-negras dentro do mesmo estado. O tamanho do ponto é proporcional a √(n_unweighted total) — visualmente mais peso para UFs com amostras maiores. - Piso de pequena amostra: UFs com n_unweighted < 30 no recorte race='total' são omitidas do gráfico. Pequenos estados do Norte (RR, AP, AC) podem aparecer ou desaparecer conforme a amostra trimestral; o ranking dos 10 estados maiores é robusto.
- Por que isto importa: a cifra agregada de 24% nacional com carteira oculta variação geográfica e racial. A Conadon (Coordenação Nacional de Fiscalização do Trabalho Doméstico e de Cuidados, criada no MTE em abril de 2026) precisa priorizar geograficamente. Este painel é a primeira visualização sistemática que combina os dois eixos — UF e raça — do hiato de conformidade da LC 150. Acciari (sobre os esforços sindicais), Pinheiro et al. (IPEA, sobre falhas de implementação) e o relatório MTE/SIT da campanha 2026 convergem qualitativamente nesse diagnóstico; o gráfico oferece o complemento empírico.
- Limitação: o painel mostra a foto do trimestre fixo mais recente. Variação temporal (essa geografia mudou ao longo dos 14 anos?) requer um segundo painel — desejável mas fora do escopo da iteração atual.
3.17 Efeito do piso — salário mínimo × razão salarial (Tema 5)
- Fontes: PNADC microdados (mesma origem do gráfico de hiato salarial) para a razão; valores oficiais do salário mínimo nominal brasileiro para o eixo do piso. Valores do SM: decretos anuais do governo federal (2012=R$ 622; 2026=R$ 1.518). Cada valor anual é aplicado a todos os 4 trimestres daquele ano (ignora reajustes de meio-de-ano, raros nesse período).
- Cálculo da razão:
mean_wage_brl(preta_parda) ÷ mean_wage_brl(nao_negras)por trimestre fixo, com sex='T' e formality='total'. Os mesmos valores usados em §3.6 (hiato salarial racial) — aqui apenas reapresentados ao lado do salário mínimo. - Cálculo nominal vs real: ambos os eixos usam valores nominais (não deflacionados). A razão (eixo esquerdo) é unidade-independente, então a escolha nominal/real não afeta a leitura. O salário mínimo (eixo direito) está em R$ correntes na data de vigência. Para a leitura intertemporal de salário real absoluto, continuar usando o gráfico "Rendimento médio mensal real" na seção principal, baseado na Tabela PNADC-6391 deflacionada pelo IBGE.
- Por que esta visualização importa: a literatura sobre transbordamentos do salário mínimo (Saboia, Manzano-Munguía, IPEA) argumenta que valorizações reais do piso comprimem desigualdades raciais e de gênero na base da distribuição salarial — exatamente onde as trabalhadoras domésticas se concentram. O painel não prova isso; oferece um teste visual: se as duas linhas se movem juntas a partir de 2023, a hipótese ganha plausibilidade; se a razão se move sem relação com o piso, ela perde.
- Limitações importantes:
- Não é decomposição econométrica. Uma regressão isolaria o efeito do piso de outros choques no mesmo período — recuperação pós-pandemia (2021–2023), Política Nacional de Cuidados (2025–2026), Conadon (2026). O painel mostra correlação visual, não causalidade.
- SM nominal, não real. Aumentos reais do piso (descontada inflação) são o mecanismo teórico; o eixo nominal pode subestimar (em períodos de alta inflação) ou superestimar (em períodos de inflação baixa) o efeito. Versão deflacionada possível em iteração futura.
- Composição de quem ganha o SM muda. Se a fração de trabalhadoras negras ganhando exatamente 1 SM cresce, isso por si só comprime a razão sem que qualquer salário individual tenha subido. Decompor "efeito mecânico" de "efeito comportamental" requer microdados de painel.
3.18 Hiato por hora — decompondo o hiato mensal
- Fonte:
PNADC-MICRODATA— cruzamento deVD4019(rendimento mensal habitual) comV4039(horas habituais por semana no trabalho principal), agregado pela equipe do projeto. - Cálculo do hiato por hora: para cada trabalhadora individual com
VD4019 > 0e0 < V4039 ≤ 98, computamos a remuneração horária comowage / (hours × 4,33). A constante 4,33 é a conversão padrão semanas→meses (52 / 12). Em seguida, calculamos a média ponderada (pesos V1028) dentro de cada célula de raça × formalidade. A razão racial por hora é mean_hourly(preta_parda) ÷ mean_hourly(nao_negras). - Coluna de dados: novo campo
mean_hourly_brlemfact_wages, exposto na viewdw_wages. População atrasada à partir do backfill PNADC-microdata após esta extensão. - O que o gráfico mostra: duas linhas no mesmo eixo Y (% da remuneração não-negra). A linha vermelha contínua é a razão MENSAL (mesma usada em §3.6 e §3.17). A linha azul tracejada é a razão POR HORA. O espaço entre as duas é a parte do hiato mensal que vem de composição de horas (mensalista vs. diarista), não de preço-por-hora.
- Por que esta decomposição importa: a literatura sobre desigualdade racial em mercados informais (Saboia, Manzano-Munguía, IPEA) distingue dois mecanismos de hiato:
- Hiato de preço: mesmo trabalho, mesmas horas, salário diferente. Decorre de discriminação direta ou de barreiras à negociação.
- Hiato de composição: tipos diferentes de contrato (mensalista vs. diarista), com regimes horários diferentes, dentro da mesma categoria. Decorre de segregação ocupacional, não de preço.
- Limitações:
- Razão de médias ≠ média de razões. Estamos comparando médias ponderadas, não calculando uma razão individual e mediando. Os dois resultados podem diferir levemente.
- Horas habituais ≠ horas efetivas. V4039 captura horas habituais; em períodos atípicos (pandemia, mudanças de emprego), efetivas podem divergir. Estável em períodos "normais".
- Conversão 4,33 é aproximada. Meses variam de 4 a 5 semanas; usamos a média. Para análise mais precisa, multiplicar por meses específicos.
3.19 Reforma trabalhista e contrato mensalista (V4024 × VD4009, hipótese DiD refinada)
- Fontes:
PNADC-MICRODATA— cruzamento deV4024("Trabalha em serviço doméstico em mais de um domicílio?",1=sim→diarista,2=não→mensalista) comVD4009(posição na ocupação, código03=trabalhador doméstico com carteira,04=sem carteira), agregados pela equipe do projeto. Materializado emfact_contractcom chave(time, geo, sex, race, contract, formality, source_table)e exposto pela viewdw_contract. - O que os dois gráficos mostram:
- Esquerda: % de trabalhadoras(es) domésticas(os) em mensalismo formal (mensalista com carteira) por raça, ao longo de 56 trimestres (2012Q1–2026Q1).
- Direita: % em mensalismo informal (mensalista sem carteira) por raça, mesmos 56 trimestres.
- Hipótese sob teste (versão refinada): a hipótese DiD do Prof. Jean-François Mayer, originalmente formulada como "a reforma empurrou trabalhadoras negras para o contrato diarista informalizado", não se confirma visualmente no contrato em si — o cruzamento por V4024 mostra que a transição mensalista→diarista ocorreu em ritmo similar nas duas raças, com hiato estável de ~4pp ao longo de todos os 56 trimestres. A história racializada vive na composição interna do mensalismo: o mensalismo formal (com carteira) caiu mais rapidamente entre as trabalhadoras não-negras (-10pp entre 2012 e 2026) do que entre as negras (-5pp), enquanto o mensalismo informal (sem carteira) permaneceu praticamente fixo em ~48% para as negras desde 2012. O efeito da reforma é de convergência ao piso, não de divergência: as taxas de formalização racial igualam-se em ~20% em 2026, partindo de 30% (não-negras) e 25% (negras) em 2012.
- Limites de identificação:
- Não é DiD: o painel mostra trajetórias paralelas, não estima um efeito causal. A inferência causal exige uma regressão DiD com janela restrita (2015Q3–2019Q4 para evitar contaminação COVID), grupo de controle apropriado (outras categorias informais comparáveis) e teste de tendências pré-tratamento. Esta análise vive no apêndice metodológico do capítulo em preparação, não neste painel.
- V4024 não é equivalente formal de "diarista": a variável captura prestação em mais de um domicílio, que é a definição operacional da PNADC, mas pode misturar mensalistas que assumem horas em segunda residência. Tratar como proxy, não como medida exata.
- Tendência pré-existente: a queda do mensalismo formal entre as não-negras já estava em curso antes de 2017Q4 e continuou depois, sem ruptura clara no trimestre da reforma. A reforma plausivelmente acelerou uma tendência em vez de criá-la — o que é compatível com o desenho DiD se houver controles apropriados.
- Conexão com o Tema 3: a persistência do mensalismo informal entre trabalhadoras negras (~48% imutável ao longo de 14 anos) é a manifestação contratual do "resíduo da casa-grande" documentado no Tema 3 — o trabalho residente e quasi-residente, herança colonial concentrada no Nordeste. Quando lemos os dois painéis juntos, o argumento estrutural ganha materialidade: o piso da informalidade não é um efeito da reforma, é uma continuidade histórica que a reforma deixou intacta.
- Sub-painel geográfico (UF × raça): o gráfico de barras "Onde a carteira desapareceu" complementa os dois painéis BR-wide acima com uma vista UF × raça. Para esse recorte, usamos fact_workers ("% com carteira" agregado por UF × raça × período) como proxy do mensalismo formal, e não fact_contract — porque fact_contract está atualmente apenas no nível BR. A aproximação introduz um pequeno viés (~3–4pp) porque "% com carteira" inclui o bucket de diaristas formais (que respondem por cerca de 3–4% do total). Para o nível BR, comparamos as duas medidas: % com carteira (de fact_workers, ~23–24% em 2026Q1) ≈ % mensalismo formal (de fact_contract, ~20–21%) + % diarista formal (de fact_contract, ~3–4%), confirmando que a proxy preserva o sinal direcional. A extensão do pipeline para UF granular (fact_contract com geo_level='uf') está em fila como tarefa #68 — será disparada se o capítulo em preparação por Mayer precisar do recorte exato para o apêndice de regressão.
- Literatura: a previsão teórica do padrão vem de Pinheiro et al. (IPEA), Hirata, Acciari e Bernardino-Costa — informalização racializada como ajuste de baixa qualidade em mercados regulados, com herança colonial específica para o trabalho doméstico brasileiro.
3.20 Hiato salarial dentro do contrato (snapshot 1T 2026)
- Fonte:
PNADC-MICRODATA 1T 2026— agregação ad-hoc viaetl/probe_wage_contract.py. O script reprocessa o microdado bruto em chunks (preservando memória), filtra a categoria doméstica (VD4009 ∈ {03, 04}) e computa médias ponderadas (pesos V1028) deVD4019(rendimento mensal habitual) e do salário por hora individual (VD4019/(V4039×4,33)) em cada célula de raça × contrato × formalidade. Resultado materializado emdashboard/data/wage_contract_snapshot.json. - Por que um snapshot, não uma série temporal? Esse recorte combina três dimensões (V4024 × VD4009 × V2010) com as variáveis salariais (VD4019, V4039) — fora do escopo do
fact_wagesatual, que tem apenas raça × formalidade. Estender o pipeline para emitir uma série completa de 56 trimestres é a tarefa #70, em fila para ser disparada se o capítulo em preparação por Mayer precisar do histórico para o apêndice de regressão. Por enquanto, mostramos o último trimestre disponível como evidência direta do mecanismo. - Pergunta analítica: o hiato salarial racial por hora — que, no agregado, é de cerca de 90,9% (negras ganham 90,9% por hora do que ganham as não-negras) — sobrevive dentro de cada tipo de contrato, ou se desfaz quando controlamos por contrato? A resposta separa preço de composição:
- Hipótese composição: o hiato existe porque trabalhadoras negras se concentram em contratos pior remunerados. Se controlarmos por contrato, o hiato deveria desaparecer.
- Hipótese preço (discriminação): o hiato existe porque, para o mesmo trabalho, paga-se menos para trabalhadoras negras. Se controlarmos por contrato, o hiato deveria persistir.
- Resultado: a resposta é mista, com geometria racial específica por contrato. Dentro do mensalismo (75% da categoria), o hiato por hora é de 96,6% — quase fechado. Dentro do diarismo (25% da categoria), o hiato é de 84,3% — um desconto racial substancial. Em outras palavras, o mensalismo equipara salário por hora; o diarismo racializa. Como a composição racial entre mensalistas e diaristas é razoavelmente simétrica (~32% das negras são diaristas vs ~36% das não-negras), o mecanismo dominante é preço dentro do contrato diarista, não composição entre contratos. Para o salário mensal (não por hora), as conclusões são similares mas atenuadas pelo número de horas trabalhadas.
- Implicação para a reforma: a expansão pós-reforma do diarismo, que documentamos nos painéis acima, lifted o salário por hora das trabalhadoras (R$ 14,12/h diarista vs R$ 10,68/h mensalista para não-negras), mas com um desconto racial aplicado às trabalhadoras negras (R$ 11,90/h diarista vs R$ 10,32/h mensalista). O prêmio diarista é limpo para não-negras e parcial para negras. Isso refina a hipótese de Mayer em um sentido construtivo: a discriminação racial pós-reforma não está em quem se torna diarista (taxas similares), mas em quanto se paga pela mesma hora.
- Limitações:
- Snapshot único: sem série temporal, não podemos testar se esse hiato dentro do diarismo se ampliou ou estreitou pós-2017Q4. A intuição editorial é que se ampliou (com a entrada de mais trabalhadoras na categoria), mas a verificação exige a tarefa #70.
- Amostra do diarista formal: 196 (negras) + 93 (não-negras). Robusto para o agregado diarista, mas o sub-bucket formal isoladamente é ruidoso — por isso o painel reporta o agregado por contrato, não as 4 células individuais.
- V4024 ≠ definição estrita de diarista: capta "trabalha em mais de 1 domicílio", proxy operacional da PNADC. Pode misturar mensalistas com hora extra em segunda casa.
- Salário por hora ≠ salário efetivo: usamos V4039 (horas habituais) × 4,33 semanas/mês, padrão IBGE. Trabalhadoras que reportam zero horas ou jornadas extremas (>98h/sem) são excluídas.
4. Notas metodológicas
4.1 Trimestre móvel × trimestre fixo
A PNADC é divulgada em duas frequências distintas: trimestre móvel (janela de 3 meses atualizada mensalmente, ex.: dezembro 2025–janeiro–fevereiro 2026 → código 202602) e trimestre fixo (calendar quarter, ex.: 1º trimestre 2026 → código 202601). As duas séries não são idênticas na granularidade temporal: a trimestre móvel cobre 12 pontos por ano, a fixa cobre 4. O painel usa a trimestre móvel para a série histórica de contagem e formalização, e a trimestre fixa para os cortes UF e mensalistas/diaristas. Os códigos de período preservam a forma original (6 dígitos YYYYMM) para permitir distinção.
4.2 Real vs. nominal
Os valores de rendimento usados no painel são em reais constantes (real, deflacionado pelo INPC) e não em reais correntes (nominal). Isto é o padrão do IBGE para séries históricas e permite comparar 2012 com 2026 sem que a inflação distorça a leitura.
4.3 "Trabalhador doméstico" × "Serviços domésticos"
O IBGE usa duas definições próximas mas não idênticas:
- "Trabalhador doméstico" (classificação
c11913) — uma posição na ocupação: a pessoa é contratada pessoa-física por um(a) ou mais empregadores domésticos. - "Serviços domésticos" (classificação
c888) — um setor de atividade: a pessoa trabalha em atividades classificadas como serviços domésticos pelo CNAE.
A sobreposição é alta mas não total: a categoria de posição inclui empregadas(os) que trabalham em atividades não-domésticas dentro do domicílio, e o setor inclui pessoas com outras posições (ex.: autônomos prestando serviços ocasionais). Onde fazemos uso do setor para inferir cifras sobre trabalhadoras domésticas (caso do salário, gráfico 3.3), explicitamos a substituição.
4.4 ILOSTAT ISCO-08 91 × PNADC "Trabalhador doméstico"
Para o comparativo internacional, usamos a classificação ocupacional ISCO-08 do ILOSTAT, sub-grupo 91 ("Cleaners and helpers"). Esta classificação inclui trabalhadoras domésticas mas também faxineiras de escritórios, auxiliares de limpeza em hospitais e hotéis, etc. O total brasileiro pelo ILOSTAT (~7,2 milhões em 2025) é, portanto, maior que o total brasileiro pela PNADC para "Trabalhador doméstico" (~5,5 milhões no mesmo período). A comparação entre países dentro do ILOSTAT é válida (todos os países usam a mesma classificação); a comparação entre ILOSTAT e PNADC é uma comparação entre populações distintas e não deve ser feita.
4.5 Linha de base populacional e índice de sobrerrepresentação
O problema. Todos os gráficos do painel que mostram "% pretas + pardas entre trabalhadoras domésticas" carregam um risco interpretativo se forem lidos sem uma linha de base populacional. Um estado pode ter baixa porcentagem de domésticas pretas + pardas em termos absolutos e ainda assim apresentar alta sobrerrepresentação racial no setor, se sua população geral tiver poucas pretas + pardas. O paradoxo de Santa Catarina ilustra: cerca de 25% das domésticas em SC são pretas + pardas (baixo em termos absolutos comparado à Bahia, onde o número é 90%), mas a população geral catarinense é apenas ~23% pretas + pardas — sobrerrepresentação ratio de ~1,1× — enquanto a Bahia tem uma população geral 80% pretas + pardas, com sobrerrepresentação ~1,12×. Ler o mapa apenas pelo absoluto sugere "Bahia é mais racializada" quando na verdade as duas estão em níveis similares de sobrerrepresentação, e estados como Paraná (~35% no setor / ~35% pop. geral → ~1,9×) ou São Paulo (~60% no setor / ~43% pop. geral → ~1,4×) são mais racializados em termos relativos.
O índice. Definimos o índice de sobrerrepresentação racial como: % pretas+pardas entre domésticas ÷ % pretas+pardas na população geral do mesmo estado. Leitura: 1,00× = paridade (proporção idêntica); > 1 = pretas + pardas sobrerrepresentadas no setor (a regra no Brasil); < 1 = sub-representadas (raro). A linha de base BR é 67,5% (domésticas) ÷ 59,1% (população geral) ≈ 1,14× — no agregado nacional, pretas + pardas estão sobrerrepresentadas em ~14% no trabalho doméstico relativamente à sua participação na população em geral.
Fonte dos dados de base. A composição racial da população geral por UF é computada pelo script etl/probe_general_pop_race.py a partir do mesmo microdado PNADC usado em todos os outros recortes do painel — apenas sem o filtro VD4009 (mantém todos os indivíduos, não só domésticas). O arquivo gerado é dashboard/data/general_pop_race.json. Re-rodar o script quando um novo trimestre PNADC for ingestado. O cálculo usa pesos amostrais V1028; a referência atual no painel é o 1T 2026 (último disponível).
Onde isso aparece no painel. (a) O mapa por UF tem um terceiro botão de visualização ("Sobrerrepresentação"); o tooltip mostra os três valores (% no setor, % na população geral, ratio). (b) O tile KPI "Negras (pretas + pardas)" exibe a base BR (~59%) e a sobrerrepresentação (~1,14×) abaixo do valor principal. (c) O gráfico de composição racial ao longo do tempo traz a linha de base populacional na descrição do gráfico (parda 45,3%, branca 43,5%, preta 10,2%). (d) Os outros painéis UF × raça (sub-painel geográfico da seção Reforma, KPIs por UF) carregam a mesma lógica via tooltip e nota metodológica.
Limitações. A base populacional é por raça mas não por raça × sexo. Como ~92% das trabalhadoras domésticas são mulheres, o ideal seria comparar com a composição racial da população feminina, não da população total. Para o BR-wide essa correção é pequena (a composição racial é praticamente independente de sexo); para alguns estados (com perfis migratórios desbalanceados) pode haver diferença pequena. O painel reporta a base populacional total e flagga a limitação aqui.
5. Limitações conhecidas
- Cortes raça × posição × UF não estão nos agregados SIDRA. O IBGE publica agregados que cruzam, separadamente: posição × período (Tabela 6320), posição × UF (Tabela 6383), rendimento × cor/raça × ocupação (Tabela 5 do Boletim DIEESE). Mas não publica o cruzamento triplo. Para obtê-lo precisaríamos processar os microdados PNADC, o que requer download dos arquivos de largura fixa do FTP do IBGE e cálculo de pesos amostrais — fora do escopo desta versão.
- Cifras DIEESE têm cadência semestral, PNADC tem cadência mensal. A composição por cor/raça e a razão salarial racial são revisadas em abril e novembro pelo DIEESE; entre essas datas, mostramos o último valor publicado, podendo estar até seis meses defasado. As séries de contagem e formalização da PNADC, em contraste, são atualizadas mensalmente.
- Censo 2022 ainda em divulgação progressiva. Cortes municipais finos (necessários, p.ex., para um painel STDMSP focado em São Paulo capital) dependem dos microdados do Censo 2022, cuja divulgação está em andamento até 2026. Quando estiverem disponíveis, vamos integrar.
- Marca histórica de 2020. A pandemia de COVID-19 interrompeu o trabalho de campo da PNADC; alguns trimestres de 2020-2021 têm cobertura amostral reduzida. Tratamos os valores como publicados pelo IBGE sem ajuste; a queda visível no gráfico de tendência é real (perda massiva de postos) e em parte um artefato da metodologia de coleta naquele período.
- Transição da amostra mestra da PNADC (2025–2026). O IBGE está realizando a transição gradual da amostra mestra da PNADC, que passa de um desenho baseado no Censo 2010 para um baseado no Censo 2022. O processo se conclui em 2026 e reflete melhor a realidade territorial atualizada. Para o painel, isso significa que comparações entre trimestres antes e depois da transição carregam um pequeno componente metodológico, além da variação real. Em todas as séries temporais aqui apresentadas, esse efeito é pequeno em relação aos movimentos substantivos observados — mas mencionamos a transição em apoio à transparência.
6. Atualização e versionamento
O painel é atualizado em três cadências distintas:
- Mensal: o ETL
fetch_sidra.pyé executado para puxar a nova trimestre móvel da PNADC quando o IBGE divulga (geralmente entre 6 e 8 semanas após o fim do período). Os gráficos de tendência, formalização e salário recebem o novo ponto. - Semestral: as cifras DIEESE em
static_factsão revisadas após a divulgação dos boletins de abril e novembro. Cada revisão recebe uma entrada no log de auditoria. - Anual: o comparativo internacional do ILOSTAT é puxado pelo
fetch_ilostat.pyuma vez por ano, geralmente em maio (após a publicação do ILO World Employment and Social Outlook).
Toda atualização é registrada em QA_AUDIT.md no repositório, com o que foi conferido, o que mudou, e a próxima data de checagem. Quando uma cifra é corrigida, o registro mantém o valor antigo riscado para que qualquer leitor possa rastrear o histórico — vide a correção 76% → 84% do hiato salarial racial em maio de 2026.
7. Como citar
Sugestão (ABNT):
MAYER, Jean-François; ROQUE, João; SINDICATO DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (STDMSP). Painel Trabalho Doméstico no Brasil. Concordia University / RITHAL, 2026. Disponível em: <https://stdmsp-trabalho-domestico.joaoroquer.workers.dev/>. Acesso em: [data].
Sugestão (APA 7):
Mayer, J.-F., Roque, J., & Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Município de São Paulo (STDMSP). (2026). Painel Trabalho Doméstico no Brasil [Painel de dados]. Concordia University / RITHAL. https://stdmsp-trabalho-domestico.joaoroquer.workers.dev/
Para citar uma cifra específica, recomendamos incluir o período (trimestre móvel ou trimestre fixo) e a fonte do gráfico, pois o painel é vivo:
"5,49 milhões de trabalhadoras(es) domésticas(os) no Brasil no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026 (PNADC Tabela 6320, conforme Painel STDMSP, acesso em XX/XX/2026)"
8. Erros, correções e auditoria
Toda correção realizada após a publicação inicial fica documentada no log de auditoria do repositório. As mais relevantes até agora:
- 2026-04-28: cifras DIEESE (% mulheres, % negras) atualizadas de valores aproximados (92,5% e 67,4%) para os valores exatos do Infográfico DIEESE de abril de 2025 (91,9% e 69,0%).
- 2026-05-04: hiato salarial racial corrigido de 76% para 84% após cruzamento direto com a Tabela 5 do Boletim Especial DIEESE 2025; o valor 76% inicial era um seed não verificado.
Se você encontrar um erro, abra uma issue no repositório GitHub ou contate diretamente o STDMSP (sindomesticastdmsp.com.br).