Pesquisas da categoria
O que nossas pesquisas revelam
Duas pesquisas que aplicamos com trabalhadoras domésticas da cidade de São Paulo. Uma em profundidade, em entrevistas conduzidas presencialmente em 2021–23 (n=241). Outra em formulário auto-aplicado em 2024–25, com foco em conhecimento da Convenção Coletiva (n=242).
Não são amostras representativas. São quem chegou ao Sindicato durante o trabalho de campo. Mas elas dizem coisas que a PNAD Contínua do IBGE não diz — e em vários pontos, confirmam o que os dados oficiais já mostravam para São Paulo.
A carteira em São Paulo
Em São Paulo, somos mais formais que a média do país — e somos mais negras
Quando perguntamos às trabalhadoras se possuem carteira assinada, encontramos um padrão que contraria a leitura nacional usual: trabalhadoras negras em São Paulo reportam carteira assinada com mais frequência que as não-negras. Entre as respondentes negras, 54,8% têm carteira; entre as não-negras, 41,9%. Um hiato de quase 13 pontos percentuais — invertido em relação ao padrão BR-wide da PNADC, mas alinhado com o que os dados oficiais já mostravam para o estado de São Paulo.
Pesquisa B · 2021–23 · entrevista presencial · n=231 respondentes com raça e carteira válidas
O piso que nos prende
A maioria de nós recebe exatamente o piso do CCT
De 221 trabalhadoras que informaram o salário base, 149 (67%) reportaram exatamente o piso de R$ 1.477 — o valor determinado pela Convenção Coletiva da categoria. Nenhuma reportou valor abaixo. O restante (72, ou 33%) distribuiu-se em três patamares acima: cerca de R$ 2.000–2.500 (61 trabalhadoras), e algumas poucas acima de R$ 3.000 (11). O piso da CCT não é uma referência abstrata — para a maioria, é literalmente o que recebe no fim do mês.
Pesquisa A · 2024–25 · formulário auto-aplicado · n=221 respondentes com valor de salário válido
De onde viemos
Mais de dois terços de nós migraram para São Paulo
Apenas 36% das entrevistadas nasceram em São Paulo. Quase 64% migraram — a maior parte do Nordeste, principalmente Bahia (44), Pernambuco (16), Piauí (8), Ceará (6), Paraíba (5) e Maranhão (4). Minas Gerais (23) e Paraná (11) completam os principais estados emissores. Esses números materializam, em rostos e cidades específicas, a continuidade colonial do trabalho doméstico brasileiro — o eixo Nordeste-Sudeste que a literatura identifica como a herança contratual da casa-grande.
Pesquisa B · 2021–23 · entrevista presencial · n=215 respondentes com estado de origem informado
O que conhecemos da nossa CCT
Conhecemos pouco a CCT que nos protege — mas quando perguntadas, valorizamos
A maior parte das respondentes não sabe que a Convenção Coletiva existe (67%), e ainda mais não sabe explicar o que é uma CCT (76%). Quando explicada, 85% consideram a CCT importante — mas apenas 36% relatam ter visto benefícios concretos no seu dia-a-dia. O hiato entre direitos formalizados e direitos vividos é mensurável. Para o Sindicato, é uma agenda direta de comunicação e fiscalização — o que está escrito não chega automaticamente até quem deveria se beneficiar.
Pesquisa A · 2024–25 · formulário auto-aplicado · n=225–232 conforme a pergunta
Esta é a única seção do painel sem espelho na PNADC do IBGE — é diretamente nossa voz sobre nosso próprio instrumento.